Centro tecnológico do agroalimentar avança na UNIPVC com investimento de 4,5 milhões de euros
A futura infraestrutura do 3AR, a construir na Escola Superior Agrária da Universidade Politécnica de Viana do Castelo, em Ponte de Lima, deu mais um passo com a autorização governamental para a constituição do direito de superfície sobre uma parcela do campus.

Com financiamento de 65% pelo Norte 2030, o projeto pretende aproximar a investigação das empresas, valorizar os recursos do Alto Minho e desenvolver novas soluções para o setor agroalimentar. A empreitada deverá ser lançada ainda este ano, mas o trabalho com os parceiros empresariais vai avançar em paralelo com a construção.
O Governo autorizou a Universidade Politécnica de Viana do Castelo (UNIPVC) a constituir, a favor do Município de Ponte de Lima, o direito de superfície sobre uma parcela de terreno do campus da Escola Superior Agrária (ESA-UNIPVC), destinada exclusivamente à construção do 3AR – Centro de Valorização e Transferência de Tecnologia (CVTT) do Agroalimentar. A decisão, publicada no Diário da República através do Despacho n.º 11725/2026, cria as condições jurídicas para avançar com a infraestrutura de um projeto que reúne a academia, autarquias, empresas, associações de produtores e entidades científicas.
O investimento global previsto é de cerca de 4,5 milhões de euros, com financiamento comunitário de aproximadamente 2,9 milhões de euros, correspondente a 65% da operação, no âmbito do Programa Regional do Norte 2030. A decisão favorável de cofinanciamento foi tomada em agosto, seguindo-se agora a autorização para a constituição do direito de superfície, por um período de 30 anos, sobre uma área até 3219,7 metros quadrados. A execução da empreitada ficará a cargo do Município de Ponte de Lima.
Segundo Nuno Vieira e Brito, diretor-geral do 3AR e docente e investigador da UNIPVC, a empreitada deverá ser lançada ainda em 2026, estando prevista a conclusão do edifício num prazo de dois anos.
Uma nova infraestrutura para aproximar a ciência das empresas
A instalar no campus da ESA-UNIPVC, o 3AR pretende reforçar o ecossistema de investigação e inovação da Região Norte, criando novas condições para que o conhecimento científico e tecnológico chegue às empresas do setor agroalimentar.
Para Isabel Valin, diretora da Escola Superior Agrária da UNIPVC, este CVTT representa um contributo importante para o desenvolvimento de uma área estratégica para a região. “Esta nova infraestrutura tecnológica vem reforçar o ecossistema de investigação e inovação da Região Norte numa área particularmente importante como é o agroalimentar. É fundamental que a academia esteja representada e acompanhe este processo de desenvolvimento, contribuindo com conhecimento para áreas tão relevantes como o desenvolvimento rural, a valorização dos recursos endógenos e os processos de adaptação e mitigação das alterações climáticas”, sublinha.
O futuro Centro de Valorização e Transferência de Tecnologia terá três grandes áreas de intervenção: Alimentação e Gastronomia, Recursos Endógenos e Território e Sustentabilidade. O objetivo é apoiar a investigação aplicada, o desenvolvimento de novos produtos e processos, a prestação de serviços tecnológicos especializados e a transferência de conhecimento para empresas e produtores.
O edifício irá contemplar espaços laboratoriais dedicados à inovação alimentar, à valorização dos recursos vegetais e animais e ao desenvolvimento de tecnologias ambientais. Entre os equipamentos previstos estão laboratórios de tecnologia e inovação alimentar, análise sensorial, microbiologia, genética e soluções para tratamento de águas e solos, numa abordagem que integra também a economia circular e a adaptação às alterações climáticas.
A infraestrutura de Ponte de Lima estará articulada com o polo de Melgaço, que dará continuidade ao trabalho desenvolvido pelo NUTRIR, particularmente no apoio à experimentação e à transferência de conhecimento para as empresas ligadas à vinha e ao vinho, com destaque para a casta Alvarinho.
Trabalho com as empresas começa antes da conclusão do edifício
A construção do edifício constitui uma etapa central do projeto, mas não condiciona o início da atividade de transferência de tecnologia. Nuno Vieira e Brito explica que o 3AR vai aprofundar, desde já, o diagnóstico das necessidades do setor e trabalhar diretamente com as empresas e os restantes parceiros para identificar oportunidades de inovação.
“Não vamos ficar à espera do edifício. Vamos, com as empresas e com todos os parceiros, aprofundar o diagnóstico que já foi realizado e perceber onde podemos ser úteis nestes três grandes setores, que são determinantes para a nossa região”, afirma o diretor-geral.
Para Nuno Vieira e Brito, o projeto representa também uma evolução na forma como a Universidade intervém no território, levando o conhecimento produzido na academia para além das atividades de ensino e investigação.
“Damos um passo muito importante, que vai para além do ensino, fundamental para a formação e qualificação, e da investigação que já fazemos. Passamos também a uma fase de intervenção no território, nas empresas e na comunidade. É um motivo de profundo orgulho perceber que o nosso trabalho tem reflexo na comunidade e que estamos, ativamente e em conjunto com as empresas e os restantes atores, a contribuir para o desenvolvimento do território”, destaca.
A candidatura prevê ainda o reforço progressivo das equipas técnicas e científicas, apontando para a criação de perto de 40 postos de trabalho qualificado até 2030, em áreas como biotecnologia, tecnologia alimentar, produção animal e vegetal, tecnologias ambientais e gestão do agroalimentar.
Um projeto construído em parceria
Formalmente constituída em julho de 2025, a Associação 3AR reúne a UNIPVC, os municípios de Ponte de Lima e Melgaço, a Comunidade Intermunicipal do Alto Minho e um conjunto alargado de entidades científicas, empresariais e associativas ligadas ao setor agroalimentar.
A UNIPVC é uma das principais associadas do projeto, cujo Conselho de Administração é presidido pelo Reitor, Carlos Rodrigues. Além de acolher a futura infraestrutura na Escola Superior Agrária, a Universidade participa diretamente na definição e concretização da estratégia científica e tecnológica do Centro.
A autorização agora concedida pelo Governo, conjugada com a aprovação do financiamento comunitário, permite avançar para uma nova etapa do projeto, que pretende transformar a investigação aplicada e a cooperação entre entidades públicas e privadas em novas oportunidades de desenvolvimento para o Alto Minho.