XIX Concurso da Vaca Frísia na Moita

frisia

O Pavilhão Municipal de Exposições, na Moita, volta a receber, entre 25 e 27 de maio, o XIX Concurso da Vaca Frísia. Depois de um interregno de 15 anos, a Câmara Municipal da Moita retomou, em 2017, a realização do Concurso da Vaca Frísia, dando visibilidade a esta atividade agropecuária - produção de leite -, tão importante para a economia do concelho da Moita.

O concurso é organizado pela EABL - Associação para o Desenvolvimento da Estação de Apoio à Bovinicultura Leiteira e conta com o apoio da APCRF – Associação de Criadores da Raça Frísia.

O XIX Concurso da Vaca Frísia inicia-se com uma Conferência marcada para o dia 25 de maio, pelas 15:00h, no auditório da Biblioteca Municipal Bento de Jesus Caraça, na Moita com dois temas principais: “Como Garantir o Futuro do Nosso Efetivo: Aspetos Essenciais da Recria”, por Ricardo Bexiga, da Faculdade de Medicina Veterinária da Universidade de Lisboa e “Leite é Vida – Um Projeto de Produtores para Consumidores”, por Marisa Costa.

Génese

As primeiras referências a animais da raça Frísia em Portugal reportam-se ao século XVII, na região de Lisboa. No entanto, foi na região de Aveiro, considerada durante muitos anos o solar da raça Frísia em Portugal, que esta raça encontrou as condições propícias à sua exploração e maior desenvolvimento e a partir da qual se expandiu para todo o país.

Até ao início do século XX o consumo de leite era reduzido e a venda nas cidades era normalmente feita porta-a-porta com as vacas que eram ordenhadas no momento. Esta prática só seria proibida em Lisboa a partir de 1920. O leite passou então a ser vendido por leiteiras ou vendedeiras de leite, que compravam o leite em pequenas explorações existentes na proximidade dos centros de consumo mais importantes, sendo as condições de produção e distribuição regra geral bastante deficientes.

A criação da Junta Nacional dos Produtos Pecuários, em 1939, veio trazer uma profunda alteração no sector dos lacticínios, com o ordenamento da actividade industrial que passou pela definição de zonas de abastecimento às fábricas, pelo condicionamento dos postos de recepção e de concentração do leite e a promoção da fusão de fábricas de lacticínios.

Em 1956 foi criada a Estação de Fomento Pecuário de Aveiro, com o objectivo de apoiar e desenvolver a produção pecuária na Beira Litoral:

À Estação de Fomento Pecuário de Aveiro, destinada a servir a lavoura da Beira Litoral e onde se encontra já em funcionamento um posto zootécnico experimental, integrado na Intendência Pecuária de Aveiro, vão pois ser confiadas algumas tarefas da mais alta importância, entre as quais se destacam os contrastes de descendência, a inseminação artificial, a recria de reprodutores para ulterior cedência aos lavradores e, de um modo geral, a vulgarização e os estudos tecnológicos relacionados com a utilização das várias espécies pecuárias (Decreto-Lei 40 671).

O Livro Genealógico da Raça Frísia foi criado em 1959, sendo nesse mesmo ano publicado o “Regulamento do Livro Genealógico Português da Raça Bovina Holandesa” pela Portaria nº 17 175, de 19 de Maio de 1959.

Os Concursos Pecuários foram sempre uma importante componente de divulgação dos melhores exemplares da raça Frísia e de promoção do Melhoramento Genético, tendo sido apoiados ao longo dos anos inicialmente pela Estação de Fomento Pecuário de Aveiro e mais tarde pela EABL.

À Atualidade

Em 1991 foi criada a Associação para o Desenvolvimento da Estação de Apoio à Bovinicultura Leiteira (EABL) que contou como associados fundadores a Direcção-Geral de Veterinária, a Direcção Regional da Agricultura da Beira Litoral, a Associação Portuguesa dos Criadores da Raça Frísia, a Proleite e a Lacticoop. A EABL iniciou as as suas funções em Junho do mesmo ano nas instalações da antiga Estação de Fomento Pecuário de Aveiro, em Verdemilho, tendo como principal objectivo o tratamento dos fluxos de informação gerados pelas acções de campo que as cooperativas vinham desenvolvendo.

A EABL é a entidade responsável pelo contraste leiteiro nas zonas Centro e Sul de Portugal continental, operando nos distritos de Aveiro, Viseu, Guarda, Coimbra, Castelo Branco, Leiria, Lisboa, Santarém, Portalegre, Setúbal, Évora e Beja.

Em Outubro de 2015, ACRM tornou-se entidade associada da EABL, transitando todo o trabalho relativo ao Livro Genealógico da Raça Marinhoa para esta entidade.

Fonte: EABL