Jerónimo Martins vai investir pela primeira vez na agricultura

jeronimoA Jerónimo Martins vai investir, este ano, no setor da agricultura. O presidente do Conselho de Administração do grupo não quis adiantar pormenores, mas admitiu que em breve será anunciado «um investimento grande», na agricultura, em Portugal.

«Teremos coisas interessantes para falar daqui a um mês ou dois», disse, esta quinta-feira, Pedro Soares dos Santos, no Algarve, na conferência de imprensa após a inauguração do Centro de Distribuição de Algoz (Silves), que representa um investimento de 25 milhões de euros e criou 220 postos de trabalho, diretos e indiretos.

Quando está próxima a entrada em vigor do novo regime que regula práticas comerciais, nomeadamente restringindo as promoções feitas pelas marcas de distribuição nas suas lojas, o CEO da Jerónimo Martins considera que isso virá «limitar muito a capacidade contratual» entre a grande distribuição e os fornecedores.

O novo regime visa, segundo o Governo, proteger os pequenos fornecedores, que agora são alegadamente esmagados pelos preços que lhes serão impostos pela grande distribuição. Mas, segundo Soares dos Santos «é todo um trabalho que se fez com milhares de médios e pequenos produtores que pode ficar completamente comprometido», garante.

«Os grandes e os fortes vão ultrapassar isto», já que, «se o setor se quiser proteger, uma primeira solução à vista, é a importação». Aliás, na opinião do gestor, a nova lei abre «brutalmente a porta» à compra de produtos estrangeiros. «Uma lei que era para limitar os grandes, vem dar-lhes força e entalar os mais pequenos», garantiu

Em relação à taxa de segurança alimentar criada pela atual ministra da Agricultura Assunção Cristas, o presidente do CA da Jerónimo Martins diz que o grupo «não vai rever a sua posição», que é de não pagar. «Consideramos que isto é mais um imposto. Os tribunais hão-de revolver».

Quanto ao país, que considera que «nem tão cedo» vai sair da situação em que está, Pedro Soares dos Santos diz que «não sinto que já haja grande apetência para consumo desmedido». «O arranque do consumo vai retardar», até porque «a carga fiscal aumentou mais este ano que no ano passado». Poderá haver «uma estabilização da confiança», mas «nem a média de compra está a subir, nem o consumidor está a gastar mais». O que se está a passar, na opinião do gestor, é que «as pessoas mudam de hábitos, reajustam-se».

E sobre o “milagre económico” anunciado pelo ministro Pires de Lima? «Como não vou a eleições, não detetei nenhum milagre económico», atirou.

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