10.º Congresso da CNA debate o futuro da Agricultura Familiar em Vila Real
Sob o lema “Produção. Alimentação. Soberania”, o encontro nacional da Confederação Nacional da Agricultura (CNA) está agendado para o dia 15 de novembro de 2026, no Teatro Municipal de Vila Real. O evento coincide com o Ano Internacional da Mulher Agricultora.

A Confederação Nacional da Agricultura (CNA) anunciou a realização do seu 10.º Congresso da CNA e da Agricultura Familiar, que terá lugar a 15 de novembro de 2026, em Vila Real. O encontro pretende reunir centenas de delegados, agricultores e convidados nacionais e internacionais — incluindo representantes da Coordenadora Europeia Via Campesina (ECVC) — para debater os caminhos da sustentabilidade e resiliência do setor face ao atual panorama político e económico.
Aprovado em Conselho Nacional, o lema do congresso assenta em três pilares estratégicos:
Produção: Destacar a Agricultura Familiar como o modelo predominante a nível global (responsável por 90% das explorações mundiais), essencial para a biodiversidade, preservação dos recursos naturais e vitalidade do mundo rural.
Alimentação: Promover a sustentabilidade através de circuitos curtos agroalimentares, reduzindo o número de intermediários e garantindo uma maior justiça na cadeia de valor, entre produtores e consumidores.
Soberania: Reforçar a produção orientada para o mercado interno e a menor dependência de fatores de produção externos, reduzindo a vulnerabilidade do país a crises de abastecimento internacionais.
Um ano de desafios estruturais e transição política
O congresso realiza-se num contexto que a CNA classifica como particularmente difícil para as pequenas e médias explorações. Entre as principais preocupações do setor destacam-se os prejuízos acumulados por intempéries, a subida dos custos de produção, a pressão do capital financeiro sobre a terra (incluindo as áreas de baldios) e as linhas orientadoras da futura Política Agrícola Comum (PAC), que a organização antevê como penalizadoras para as explorações de menor escala, face ao avanço do agro-negócio intensivo.
A direção da CNA sublinha que o evento será um espaço central para a "apresentação de propostas e reclamações para outras e melhores políticas públicas", visando contrariar o desaparecimento de milhares de explorações familiares e garantir a viabilidade económica do tecido rural português.
Foco no papel das mulheres rurais
A edição deste ano ganha um relevo acrescido por se realizar no Ano Internacional da Mulher Agricultora, instituído pelas Nações Unidas. O congresso reservará espaços de debate dedicados à definição de medidas públicas que valorizem e capacitem o papel da mulher no setor agrícola e no desenvolvimento dos territórios rurais, combatendo assimetrias e discriminações.
A organização adianta que as informações sobre as inscrições e o programa detalhado das sessões serão atualizadas progressivamente no portal oficial da confederação (www.cna.pt).