Tarouca: setor acredita no futuro promissor da cultura do sabugueiro

Foi apresentado na tarde desta sexta-feira, 25 de janeiro, na Casa do Paço, Dalvares, em Tarouca, o Grupo Operacional (GO) SambucusValor.

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Texto: Ana Clara | Fotos: Daniela Faria 

Durante a apresentação, a convergência de opiniões dos vários agentes do setor foi unânime: o sabugueiro tem potencialidades que podem gerar mais valias económicas e desenvolvimento regional.

O Sambucusvalor é um projeto financiado pelo FEADER e pelo Estado Português, no âmbito da ação 1.1 «Grupos Operacionais», integrada na Medida1. «Inovação» do PDR2020.

De acordo com a Inovterra - Associação para o desenvolvimento local que lidera o projeto, atualmente, a cultura do sabugueiro representa cerca de um milhão de euros na sua comercialização em Portugal, produzindo cerca de 1500 toneladas de baga fresca neste território em cerca de 400 a 500 hectares.

Neste sentido, durante a apresentação, ficou claro que a Inovterra e os seus parceiros acreditam, que este valor pode aumentar em muito com este projeto.

Por essa razão, propõe-se a estudar e a explorar o potencial do sabugueiro, quer através da criação de subprodutos, com uma pequena transformação, quer através da diversificação do mercado alvo do produto (exemplo Indústria farmacêutica), sempre tendo como prioridade a promoção da saúde e a prevenção das doenças.

No evento, marcou presença, Luís Caiano, representante do secretário de Estado da Agricultura e Alimentação. Na sua intervenção, o responsável afirmou que a agricultura portuguesa, «apesar das adversidades, tem vindo a crescer».

«A inovação é fundamental para o crescimento da agricultura. Neste sentido, o Governo tem tomado várias iniciativas com vista a alavancar a inovação nas fileiras agroalimentar e florestal. Destacamos, por isso, o apoio à criação dos centros de competências nas fileiras agroalimentar e florestal, com estratégias e planos de ação objetivos, e que constitui uma das formas de transferência de conhecimento e tecnologia, sendo em muitos casos, motores de desenvolvimento regional», sublinhou.

Luís Caiano realçou também que neste momento estão reconhecidos cerca de 20 centros de competências, organizados por cadeias de valor, focados nas necessidades de investigação, desenvolvimento e inovação dos agricultores e das empresas do setor.

«Através do Programa de Desenvolvimento Rural (PDR2020) já foi disponibilizado 1 milhão de euros no que respeita ao apoio às iniciativas dos centros de competências», informou.

Vincou depois a «importante cooperação entre os ministérios da Agricultura e da Ciência e Ensino Superior no sentido de reforçar a investigação, assegurando a transparência do conhecimento e tecnologia para os setores agroalimentar e florestal».

No que concerne ao apoio aos Grupos Operacionais, no âmbito do PDR 2020, até à data, já foram aprovados 114 projetos, com investimento elegível de 48 milhões de euros, que envolvem 500 parceiros com apoio a fundo perdido superior a 30 milhões de euros. Falamos de fileiras como Produção Animal, Horticultura e Fruticultura, Cereais, Olivicultura e Floresta.

Já João Manuel da Costa, da Universidade de Aveiro, recordou que a cultura do sabugueiro naquela instituição «não é algo desconhecido» e sublinhou que «o trabalho e a investigação junto das empresas é fundamental para a criação de valor acrescentado».

Para Júlio Félix, em representação da Diretora Regional de Agricultura do Norte, «a expectativa é bastante grande em relação ao trabalho que está a ser desenvolvido no projeto GO Sambucus Valor».

Durante a sessão foi ainda destacado que o preço da baga de sabugueiro tem vindo a aumentar nos últimos anos, sendo que desde 2005, a maior parte da produção tem vindo a ser exportada para a Alemanha e outros países do centro da Europa, também em fresco.

Para Pedro Brás de Oliveira, do Instituto Nacional de Investigação Agrária e Veterinária, I. P. (INIAV), e diretor do Suplemento Pequenos Frutos (publicado com a revista Agrotec) entidade parceira do projeto, falamos de «uma cultura que tem de ser trabalhada».

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Pedro Brás de Oliveira, durante a sua intervenção

«O Sambucus precisa de facto que haja investimento. Podemos ter alguma inovação, e é aqui que entra o GO. O sabugueiro tem a virtude de ter uma panóplia de opções em termos de utilização e tem sido utilizado em diversas aplicações. Isso será, seguramente, aproveitado», disse na sua comunicação.

Na sua intervenção, Bruno Cardoso, presidente da direção da InovTerra, alertou para a questão da internacionalização: «somos a maior área de sabugueiro na Europa e isso pode dar-nos uma alavanca para a criação de produtos que venham a ser transformados, inclusive em Portugal. Neste momento ainda trabalhamos muito a matéria prima. Mas acredito que, no futuro, a realidade será outra».

O responsável enumerou também as várias aplicações onde já é utilizada a baga de sabugueiro, desde produtos ligados à saúde, medicamentos, gel de banho, águas com sabores, gin, sal grosso aromatizado com flor de sabugueiro, cerveja, etc.

"A valorização do sabugueiro a partir do desenvolvimento de novos produtos alimentares de valor acrescentado". Assim se designou a comunicação de Sílvia M. Rocha, do QOPNA & Departamento de Química da Universidade de Aveiro.

A docente recordou que, desde 2010, que se estuda naquela instituição o sabugueiro.

«Temos andado um pouco à espreita. Na universidade trabalhamos muito os produtos naturais, a sua valorização, olhando para as biomoléculas. Mas isto não chega. Para criar valor e colocar esse conhecimento ao dispor da sociedade, é importante olhar para muitas perspetivas, de forma a valorizar o conhecimento. Analisar os campos, a questão das cultivares, as suas diferentes características, que tipo de produtos podem dar é, pois essencial, até para avaliarmos toda a cadeia, desde o campo até ao produto e consumidor. É essa a nossa preocupação», sustentou Sílvia Rocha.

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O Sambucusvalor é um projeto financiado pelo FEADER e pelo Estado Português, no âmbito da ação 1.1 «Grupos Operacionais», integrada na Medida1. «Inovação» do PDR2020.

A Inovterra lidera o projeto, sendo que este tem como parceiros a Universidade de Aveiro, o INIAV, a Inovfood, Alberto Luís Branco Miranda de Carvalho Neto e Oldland, Unipessoal Lda.

A Publindústria (empresa jornalística com mais de trinta anos de atividade na edição de revistas especializadas e detentora das marcas Agrotec, TecnoAlimentar, Agrobook e Agronegócios) é igualmente parceira do projeto.

Saiba mais aqui.

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Nota Editorial: Leia a reportagem completa sobre esta apresentação na próxima edição do Suplemento Pequenos Frutos, publicado com a revista Agrotec.