Baga de sabugueiro do Vale do Varosa e Távora

Por Ângelo C. Salvadora, Armando J. D. Silvestre, Sílvia M. Rocha

sabugueiro

Na zona do Vale do Varosa e Távora são exploradas culturas de sabugueiro com boa capacidade de adaptação às condições naturais e de cultivo.

A baga pode ser exploradas como uma excecional fonte de matéria-prima para o desenvolvimento de produtos alimentares saudáveis e de valor acrescentado, em linha com as atuais tendências de mercado.

O conhecimento da composição química da baga e dos fatores que a podem afetar, nomeadamente o impacto da maturação e cultivar, são parâmetros determinantes neste processo de valorização e serão discutidos neste trabalho e ilustrados com dados recentes sobre a baga da região do Vale do Varosa e Távora.

Além disso é demonstrado o valor nutricional da baga de sabugueiro através da sistematização de inúmeros estudos realizados em baga de várias zonas do globo.

O valor nutricional da baga de sabugueiro

A baga de sabugueiro (Sambucus nigra L.) tem sido usada em cosmética, alimentação, medicina tradicional, e mais recentemente na preparação de suplementos alimentares e alimentos funcionais, o que ilustra o potencial desta espécie e o interesse no estudo mais aprofundado da sua composição.

Das inúmeras aplicações industriais da baga madura destaca-se a sua utilização como
fonte de corantes naturais devido à sua cor roxa intensa.

Também é de realçar o seu valor nutricional demonstrado por inúmeros estudos internacionais relativos à baga madura de diferentes regiões do globo.

Esta tabela ilustra claramente que a baga pode ser considerada uma fonte importante de diversos macro e micronutrientes essenciais na dieta humana, podendo o seu consumo representar uma contribuição relevante para atingir os valores
diários de referência (VDR) de vários nutrientes.

Por exemplo, uma porção típica de baga de sabugueiro (aproximadamente 50g) permite ingerir até 14% do VDR de fibra dietética, 33% do VDR de vitamina A, 43% do VDR de ferro ou pode mesmo suprir completamente as necessidades diárias em
vitamina C.

É importante notar que os VDRs dependem de vários parâmetros, tais como o indivíduo (peso corporal, dieta, atividade física, etc.), o estado de saúde (por exemplo, distúrbios digestivos); ou fatores ambientais (clima, exposição solar, etc.).

A baga de sabugueiro como fonte de compostos bioativos e parâmetros que afetam o seu teor

Apesar dos inúmeros estudos realizados sobre a baga de sabugueiro de várias regiões do globo, existem poucos estudos sobre a caracterização química e avaliação nutricional da baga de sabugueiro portuguesa.

Assim, recentemente foram realizados estudos de prospeção de compostos bioativos [3-7], isto é compostos com efeitos biológicos conhecidos, incluindo a promoção da saúde e bem estar, na baga de sabugueiro portuguesa, nomeadamente da baga cultivada no Vale do Varosa e Távora.

Na região do Douro Sul, e em particular na região do Vale do Varosa e Távora a produção de sabugueiro atinge entre 1500 a 2500 toneladas/ano, sendo principalmente exportada no estado maduro (refrigerada ou seca) para a produção de concentrados, sumos e corantes alimentares, usando como principais cultivares a ‘Sabugueira’, ‘Sabugueiro’ e ‘Bastardeira’.

De entre os inúmeros compostos bioativos detetados foi dado especial enfoque aos compostos terpénicos e norisoprenóides voláteis, compostos fenólicos, triterpénicos, fitoesteróis e ácidos gordos.

Atendendo a que o teor destes compostos bioativos depende do estado de maturação, foram estudadas as bagas em diferentes estados de maturação.

(Continua)

Nota: Artigo publicado no suplemento Pequenos Frutos 23.

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