Suinicultura, bem estar animal e segurança alimentar

Por Ana Carina Silva, Cláudia Lobo, Humberto Rocha, Teresa Letra Mateus

bem estar

A produção de suínos actualmente tende a diversificar-se para dar resposta também a uma solicitação crescente dos consumidores por animais criados em sistemas que respeitem o bem estar animal (BEA) e simultaneamente a segurança alimentar.

O objectivo deste artigo foi relacionar os sistemas de produção de suínos com o BEA e a segurança alimentar. Dos estudos consultados não foi possível inferir um sistema que fosse mais competente nesses critérios.

Suinicultura e sistemas de produção

Segundo o Instituto Nacional de Estatísticas (INE) a suinicultura é um dos sectores que apresenta especial destaque nas atividades pecuárias praticadas em Portugal (INE, 2012). A produção de suínos tenta acompanhar as tendências e os interesses que são impostos pelos consumidores, que cada vez mais se interessam pela maneira como são produzidos os animais, se respeita o meio-ambiente e as normas de bem-estar animal (BEA).

Nesta sequência, no final de 2014 verificou-se um acréscimo do efetivo nacional de suínos devido ao facto das explorações que se mantiveram em atividade terem aumentado a sua capacidade produtiva para compensar os investimentos de adaptação das mesmas às normas de BEA, em vigor desde 2013 (INE, 2014).

Contudo, apesar de em 2016 se registar praticamente uma manutenção (-0,2% em relação a 2015), houve uma retração da atividade dos produtores nacionais refletida na contenção do efetivo presente nas explorações no final do ano, devido às contínuas promoções na carne de porco vendidas nos hipermercados a preços altamente atrativos, condicionando os preços dos porcos à produção, que estiveram mais baixos que em 2015 (-1,7%) (INE, 2016).

A produção de suínos pode ser praticada essencialmente em sistemas: extensivos (free-range), intensivos ou biológicos. Os sistemas de produção extensiva caracterizam-se pela criação de suínos sem instalações fechadas, isto é, os animais passam pelas diferentes fases produtivas em campo.

Estes sistemas são usados sobretudo na produção doméstica onde raramente são utilizadas tecnologias, mas também e cada vez mais, em produções comerciais.

Os sistemas de produção intensiva caracterizam-se pela criação de suínos completamente confinados, em que todas as fases produtivas ocorrem em diferentes pavilhões fechados. Nos sistemas intensivos, as tecnologias são muito usadas de modo a rentabilizar e aumentar a produtividade.

Os sistemas biológicos apresentam normas específicas de áreas exteriores a que os suínos têm acesso, o uso de antimicrobianos é muito limitado, a fonte de alimentação também tem de ser biológica, entre outras condicionantes. Todos os sistemas apresentam vantagens e desvantagens, quer a nível de produção, quer a nível de segurança alimentar e de BEA. O objectivo deste artigo foi relacionar os modos de produção de suínos com o BEA e a segurança alimentar.

Sistemas de produção, BEA e segurança alimentar

Nos sistemas de produção extensivos existirão condições de BEA que poderão estar mais de acordo com as necessidades dos animais no que diz respeito às áreas da produção, contudo, também se sabe que, fruto da exposição a diversos factores ambientais, há mais problemas com doenças parasitárias.

Segundo Bacci et al. (2015) e Giessen et al. (2007), que comparavam a suscetibilidade de infeção por Toxoplasma gondii em suínos de produção intensiva e produção extensiva, os animais que apresentam maior risco de infeção são os suínos de produção extensiva.

Esta conclusão foi baseada na genotipagem dos serotipos de Toxoplasma gondii de estirpes potencialmente virulentas nestes suínos, que estão mais expostos a animais selvagens, o que propicia uma fusão entre o ciclo doméstico e silvestre, potenciando a patogenicidade para o Homem.

Para além deste fator, no caso da infecção humana, esta é favorecida também a ingestão de carne e enchidos mal cozinhados (Bacci et al., 2015; Giessen et al., 2007).

Também Wallander et al. (2016) concluíram que a prevalência de Toxoplasma gondii é maior em sistemas de produção extensiva ou biológica, o que estará associado à alimentação que é disponibilizada em locais em que os gatos e roedores têm acesso, assim como com o acesso ao pasto.

Hernández et al. (2014) fizeram um estudo apenas com suínos produzidos em sistema extensivo, no Sul de Espanha. Encontraram diferenças entre a seroprevalência de Toxoplasma em explorações de diferentes localidades e pensam que se deveram a diferentes práticas relativamente a: sistemas de produção all-in-all-out (tudo dentro e tudo fora), medidas de limpeza, idade dos animais, controle de roedores e gatos e métodos usados ​​para eliminar as carcaças.

Os anticorpos de Toxoplasma gondii observados neste estudo podem também estar relacionados a fatores como a presença de reservatórios de infecção (animais silvestres, roedores, entre outros), fontes de água contaminadas e ambiente conspurcado (Hernández et al., 2014).

(Continua).

Nota: Este artigo foi publicado na edição n.º 28 da Revista Agrotec.

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