Economia da floresta inverte trajetória de crescimento e cai 3,4% em 2016

A silvicultura inverteu em 2016 a trajetória de crescimento iniciada em 2008 e diminuiu em 3,4% o seu contributo para a economia (VAB – Valor Acrescentado Bruto), face ao ano anterior.

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A descida do VAB em 2016 foi de 3,4% em valor e de 1,9% em volume e, segundo o Instituto Nacional de Estatística (INE), é resultado da diminuição de três por cento da produção da silvicultura, que foi maior do que a queda de 2% registada no consumo intermédio.

O INE explica que a descida de 3% da produção da economia da floresta em 2016 foi motivada, sobretudo, pelas quedas de 5,6 pontos percentuais (p.p.) na produção de madeira para triturar e de 5% na produção de serviços silvícolas, que não conseguiram compensar os aumentos de 5,8% na produção de cortiça e de 4,4 pontos na produção de madeira para serrar, esta constituída principalmente por pinheiro bravo.

A produção da madeira para serrar, a matéria-prima das indústrias de serração, que abastecem fábricas de embalagens, de mobiliário e a construção, embora ainda aquém dos valores registados pelo INE entre 2000 e 2001, tem registado aumentos em volume nos últimos anos, em função do crescimento das exportações, e maior necessidade de paletes e caixas, e da construção.

O INE diz a oferta desta madeira para serrar se tem revelado insuficiente, dada a dificuldade de regenerar alguns povoamentos e face à diminuição de plantações, o que tem contribuído para um aumento dos preços, que o instituto estima terem sido em 2016 de 1,6% em volume e de 2,8 p.p. em preço.

«Ao longo dos últimos anos, a estrutura da produção silvícola nacional tem registado alterações significativas», diz o INE, lembrando que, entre 2000 e 2004, a cortiça foi o produto mais relevante, mas desde aí tem vindo a perder importância para a madeira para triturar (40,6% em 2016).

Esta madeira para triturar, essencialmente constituída por eucalipto, é usada sobretudo no fabrico de pasta de papel, dependendo da capacidade produtiva da indústria de pasta de papel e da disponibilidade de madeira de eucalipto em pé.

A produção desta madeira para triturar, que cresceu de forma acentuada entre 2010 e 2013, e se manteve acima dos 300 milhões de euros entre 2013 e 2015, registou em 2016 descidas de 3% em volume e de 5,6 p.p. em valor, segundo o INE.

A produção de cortiça aumentou em 2016 pelo quarto ano consecutivo, segundo o INE, com um crescimento nominal de 5,8% na produção, um crescimento que justifica com os aumentos de 3,9 pontos em volume e de 1,8 p.p. no preço da cortiça.

«O volume de produção de cortiça regista uma tendência crescente desde 2006», diz o instituto, recordando a evolução decrescente até 2012 dos preços no produtor, que têm vindo a aumentar nos anos seguintes.

O INE destaca a importância em Portugal do fabrico de rolhas de cortiça, dada a importância da produção de vinho, e, complementarmente, a importância do fabrico de outros produtos à base de cortiça, nomeadamente para a construção civil, decoração e isolamento, face ao aumento da procura interna e externa.

O saldo da balança comercial dos produtos de origem florestal, incluindo materiais que estão no perímetro das Contas Económicas da Silvicultura e produtos industriais de origem florestal, permaneceu excedentário em 2017, atingindo cerca de 2,5 mil milhões de euros.

Os produtos à base de cortiça, com um excedente comercial de 895,3 milhões de euros, mantiveram-se como os mais relevantes, segundo o INE.

Os dados divulgados esta quinta-feira mostram ainda que, em 2016, o total de ajudas pagas à atividade silvícola (subsídios ao produto, outros subsídios à produção e transferências de capital) registou um decréscimo de 50,3% face ao ano anterior, e que as ajudas pagas à produção (subsídios ao produto e outros subsídios à produção) diminuíram 41,2%, em consequência de uma diminuição das ajudas à florestação que tinham registado um crescimento em 2015.

Fonte: Lusa