«A Fruit Attraction é um elemento dinamizador no setor de frutas e legumes na Europa»

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Raúl Calleja antecipa a próxima edição da Fruit Attraction que decorre em Madrid, Espanha, entre 23 e 25 de outubro. Ao todo irão participar 1600 empresas e são esperados 70 mil profissionais de 120 países. «Em 2018 reforçam-se áreas como o espaço “Smart Agro”, centrado na aplicação de novas tecnologias e conectividade, com o objetivo de incrementar a produtividade das explorações hortofrutícolas.

Entrevista: Ana Clara | Fotos: IFEMA

AGROTEC: Quais as expectativas para a próxima edição da Fruit Attraction, que se realiza entre 23 e 25 de outubro, e que se celebra o 10.º aniversário?

Raúl Calleja: A décima edição da Fruit Attraction será uma edição memorável. Não somente porque se celebra o seu décimo aniversário, mas também por ser a maior edição da sua curta história com a assistência de mais de 1.600 expositores e 70.000 participantes profissionais de 120 países. Colocámos uma fasquia bastante alta para estar à altura desta edição tão especial. O setor hortofrutícola espanhol celebra o facto de, em somente dez anos, ter conseguido construir uma plataforma internacional de primeiro nível em casa. A Fruit Attraction continua a apostar na inovação e para que cada edição seja única, diferente e especial. Alterámos os dias de celebração para de terça a quinta-feira e, assim, poder ampliar o tempo útil comercial do evento para que a oferta e a procura possam ter mais tempo de reunião.

AG: Em termos de crescimento – a nível de expositores, área de feira, visitantes – já é possível haver dados e estimativas?

RC: As previsões que temos de participação final apontam para um crescimento de 16% tanto em expositores como em superfície de exposição. Estimamos uma participação que superará as 1.600 empresas de todo o mundo e cerca de 70.000 visitantes profissionais de 120 países. Serão 50.000 metros quadrados netos de oferta hortofrutícola repartidos pelos pavilhões 3, 5, 6, 7, 8, 9 e 10 da Feria de Madrid.

AG: Inovação tem sido a palavra-chave nos últimos anos. A aposta na inovação é para continuar? Em que medida?

RC: Obviamente que sim. Esta grande feira, desenhada pelo próprio setor, é a montra para posicionar as propostas e soluções tecnológicas. Desta maneira, aposta por impulsionar a transformação digital e a inovação tecnológica em toda a cadeia agroalimentar. Em 2018 reforçam-se áreas como o espaço “Smart Agro”, centrado na aplicação de novas tecnologias e conectividade, com o objetivo de incrementar a produtividade das explorações hortofrutícolas, com maiores níveis de qualidade e controlo, assim como menores impactos no meio ambiente. Os tradicionais espaços Pasarela Innova e Foro Innova unificam-se sob o conceito “The Innovation Hub”, como área dedicada à inovação e novidades empresariais no setor. Adicionalmente, este ano potenciamos na feia o programa de jornadas e conhecimento setorial revalorizando a inovação e a tecnologia como agente de mudança e evolução.

AG: Como evoluiu o setor das frutas e legumes nos últimos dez anos, não só em Espanha, como na Península Ibérica mas também na Europa?

RC: O setor goza de boa saúde. Manter o impulso requer um permanente estado de alerta e revisão, especialmente por todas as novas mudanças disruptivas que abalarão o mercado nos próximos anos: a irrupção da biotecnologia, a nova cadeia de valor, os perfis dos novos consumidores, a entrada do comércio online no setor dos frescos. Manter as primeiras posições requer da infraestrutura empresarial um investimento em atualização e tecnologia das explorações hortofrutícolas, incorporando nos processos melhorias para reforçá-lo e assegurar a sua sustentabilidade no futuro. É necessário aprofundar a diversificação das vendas no exterior e agilizar o levantamento de barreiras fitossanitárias existentes em muitos países que impeçam o acesso aos seus mercados. Por outro lado, é importante acelerar o processo de inovação reforçando os fundos e programas operacionais, destinados principalmente a financiar investimentos nas explorações. Destaco, assim, a Fruit Attraction como elemento dinamizador no setor de frutas e legumes na Europa.

raul calleja

AG: O setor da logística tem também sido fulcral para as empresas que marcam presença na Feira. De que forma esta área tem crescido e o que podemos esperar?

RC: A logística internacional é fundamental no retorno económico mundial, dada a importância desta atividade nos movimentos de globalização económica internacional do comércio exterior e suporte à atividade. É requisito fundamental ter uma infraestrutura logística adequada para o posicionamento de qualquer empresa e até de qualquer país. Desde logo é básico produzir bem e com custos competitivos, mas é igualmente fundamental a logística para colocar à disposição dos clientes os produtos solicitados no momento e lugar pretendidos. Cada vez é maior o número de empresas do setor logístico que acondicionam os seus produtos e serviços para oferecer a especialização necessária no setor de frescos. E por esse motivo, plataformas comerciais como a Fruit Attraction são fundamentais para e darem a conhecer. Atualmente, mais de 15% dos expositores da área da Indústria Auxiliar da feira corresponde a empresas de logística e transporte. Todos ao serviço da comercialização hortofrutícola internacional, que necessita chegar cada vez a novos e mais longínquos mercados.

AG: O consumo – mundial e europeu – terá, no futuro, tendência para crescer? Que evolução, ao nível do consumo, se espera a curto, médio prazo?

RC: O consumo de frutas e legumes frescos está a recuperar ligeiramente. As tendências indicam que são cada vez mais populares para os consumidores europeus. Os produtores de frutas e legumes, principalmente dos países mediterrâneos, estão a conseguir posicionar melhor estes alimentos frescos no estilo de vida atual em constante mudança. Nesse sentido, teremos muito trabalho pela frente para estimular e impulsionar novos hábitos de consumo.

AG: Falando de Portugal e da presença das empresas portuguesas no certame. Como olha para a dinâmica de Portugal na Fruit Attraction?

RC: A presença de empresas portuguesas é fundamental para o sucesso da feira. Para nós é muito importante e esperamos que continue sempre a crescer. A Fruit Attraction é uma excelente plataforma para o setor hortofrutícola português pelo posicionamento de Espanha, pela sua localização estratégica como porta de entrada e saída para a Europa e para outros mercados, como a América Latina.

AG: Em termos de conferências, workshops, apresentações, haverá alguma novidade nesta edição dos dez anos da Fruit Attraction?

RC: Este ano desenvolvemos o programa de jornadas e conhecimento setorial revalorizando a inovação e a tecnologia como agente de mudança e evolução (Área Smart Agro, Programa Acelera, The Nuts Hub, Pasarela Innova, …). Além disso, teremos como grande protagonista o dióspiro. Estamos precisamente, neste momento, a trabalhar neste programa para oferecer a melhor montra de conhecimento.

AG: Por fim, que balanço faz destes 10 anos de Fruit Attraction?

RC: Muito positivo, de apoio unânime do setor e de crescimento contínuo. A Fruit Attraction tornou-se numa ferramenta comercial fundamental e imprescindível ao serviço da comercialização de frutas e legumes. O sucesso da Fruit Attraction reside em vários fatores. A sintonia entre a IFEMA e a FEPEX permite desenvolver um projeto à medida das necessidades do setor. Além disso, o mês em que se celebra a feira – outubro – é a chave para a planificação de campanhas e fechar acordos de abastecimento entre fornecedores e comerciantes de frutas e legumes para todo o inverno. Da mesma forma, ressalvo igualmente a capacidade de convocatória a nível internacional incentivada pelas ações dos próprios expositores e da Feira. Os objetivos para o futuro continuam a ser que, desde a organização, sejamos capazes de oferecer uma ferramenta comercial rentável, continuar a aumentar o espectro internacional da convocatória e que a Fruit Attraction seja o espaço para o futuro, para as tendências…

Nota: Entrevista publicada na edição impressa da Agrotec 28.

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