Viticultores do Douro não sabem o preço a que vendem as uvas

A Associação Independente dos Vitivinicultores do Douro (AVIDouro) deixa o alerta para o «cenário negro» que envolve os pequenos e médios produtores e exigiu «contratos obrigatórios» para saberem «o valor real» que vão receber pelas uvas.

Em plena época de vindimas na região durienses, a AVIDouro convocou uma conferência de imprensa para uma quinta de Gouvinhas, em Sabrosa, a qual foi cancelada devido ao mau tempo que se faz sentir neste território.

O objetivo «era mostrar» os problemas que afetam os pequenos e médios produtores, mas a associação optou por mandar um documento escrito à comunicação social, através do qual faz um conjunto de reivindicações.
A AVIDouro exigiu «contratos obrigatórios» no ato de entrega das uvas, contratos que defendeu que deveriam ser celebrados entre o comércio e a produção com a «indicação dos valores reais a pagar».

É que, na região, muitos viticultores entregam as suas uvas às adegas ou quintas «sem preço», ou seja, sem saberem quanto vão receber pelo seu produto.
Os produtores queixam-se ainda dos preços baixos e dizem que, em muitos casos, «já não têm condições financeiras até para pagar as vindimas».
«As vindimas, que devem ser uma festa, estão a transformar-se numa dor de alma para os pequenos e médios vitivinicultores durienses e suas famílias», salientou a AVIDouro.
A associação reclamou a «criação de todas as condições para garantir escoamento a melhores preços à produção, para as uvas de vinho de mesa e para as uvas para o vinho do Porto».
A AVIDouro queixou-se ainda dos efeitos da seca, considerando que «vai levar a uma quebra de produção» na vinha e no olival e, por isso, pediu ajudas «a fundo perdido para atenuar os prejuízos».

A organização falou numa «situação negra» que caiu sobre o Douro e lançou duras críticas ao Governo, reivindicando o adiantamento dos pagamentos das ajudas nacionais e comunitárias.
«Com os atrasos crónicos do pagamento das ajudas nacionais e comunitárias, Governo e governantes estão a contribuir para a descapitalização dos agricultores e a obrigá-los a abandonar as suas explorações», salientou a organização.
Exigiu também o «cumprimento dos prazos estabelecidos para o pagamento dos projetos VITIS executados», ainda «linhas de crédito altamente bonificadas e a longo prazo», bem como o «controlo eficaz das aguardentes e mostos».

A AVIDouro aproveitou ainda para criticar o processo Casa do Douro (CD), extinta enquanto associação pública e cuja gestão privada foi entregue à Federação Renovação do Douro.
«O Governo, exorbitando antidemocraticamente os seus poderes e funções chegou já ao ponto de lançar o assalto final à nossa CD e ao património da lavoura, com a nomeação de um agente liquidatário da histórica instituição», frisou.
O Governo anunciou que vai nomear um administrador liquidatário que irá proceder à regularização das dívidas da extinta Casa do Douro, que ascendem aos 160 milhões de euros.

Fonte: Lusa (via Agronegocios.eu).