Vai haver mais sobreiros em todo o país

sobreiros

A indústria corticeira quer expandir a área de montado. O objetivo é produzir mais e importar menos.

No dia de Natal, o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, plantou um sobreiro em Figueira, Pedrógão Grande, à espera de ter, dentro de uma década, “um símbolo bem frondoso” na terra marcada pelo incêndio de junho último. Por essa altura, a Associação Portuguesa da Cortiça (APCOR) espera ter, também, mais sobreiros em território nacional, de norte a sul.

Hoje, 84 em cada 100 sobreiros estão no Alentejo, mas a fileira da cortiça olha atentamente para todo o país. Vê oportunidades em Arouca, afetada por incêndios em 2016, em Trás-os-Montes, na região centro.

«Vemos o território nacional sem espartilhos. Estamos a falar de uma árvore autóctone que se adapta às diferentes zonas do país, e há trabalhos em curso para perceber quais são as melhores áreas de plantação, em que solos temos melhor nível de crescimento», afirma João Rui Ferreira, presidente da APCOR.

O objetivo a curto prazo é aumentar a fatia de 23% da área de sobreiro na floresta portuguesa. Não há um indicador de crescimento definido, mas existe um estudo sobre o futuro da fileira que fala em reforçar com 50 mil hectares a atual área de montado (737 mil hectares) usando novas técnicas de subericultura para aumentar a densidade da plantação e a produtividade. Há a convicção de que a reforma da floresta traz novas oportunidades, e esta é uma espécie em que faz sentido apostar num cenário de aquecimento global. E, com a popularidade da cortiça em alta, «seria mau não ter matéria-prima disponível para responder ao mercado», acrescenta o dirigente associativo, certo do potencial de crescimento dos sobreiros num país que produz cerca de 85 mil toneladas de cortiça por ano e tem de importar mais 66 mil toneladas.

No terreno, há já alguns sinais de mudança. Em 2016, a Corticeira Amorim anunciou uma parceria com 10 produtores para plantar 500 hectares de sobreiro em regadio.

O projeto solidário Renascer, lançado no universo da cerveja artesanal, através das marcas Letra e Rapada, para ajudar na reflorestação, traz 10 mil árvores, sobreiros incluídos. O projeto Floresta Comum, que junta a associação ambientalista Quercus e o Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas, envolve mais 211 mil plantas, 10% das quais são sobreiros. Através do programa de reciclagem de rolhas Greencork, o reinvestimento na plantação de árvores autóctones soma mais de 25 mil sobreiros em dois anos.

Fonte: Expresso