Trigo mole e trigo duro - a valorização da aplicação de regas suplementares

Por Ana Sofia Almeida, José Coutinho, Ana Rita Costa, Conceição Gomes, Nuno Pinheiro, Ana Sofia Bagulho, Armindo Costa, João Coco, Benvindo Maçãs

INIAV - Instituto Nacional de Investigação Agrária e Veterinária, MADRF

trigo

Introdução

Em Portugal o nível de auto aprovisionamento de cereais não atinge os 30%, incluindo alimentação humana e animal constatando-se, portanto, uma forte dependência das importações.

Nos territórios com regadio fora do perímetro de Alqueva onde, com frequência, a disponibilidade de água é limitada a cultura de cereais é, seguramente, uma opção rentável e que contribui para uma maior eficiência do uso da água, com repercussões ao nível das produtividades unitárias e qualidade industrial dos lotes obtidos.

Os trigos e as cevadas consomem em média 1000m3 por ha, tornando possível a cultura em áreas com menor disponibilidade de água ou permitindo, com a mesma água, regar maior área do que outras culturas que tenham um consumo bastante mais elevado.

Ensaios de trigo mole e trigo duro em situação de sequeiro e de regadio

Portugal insere-se numa das áreas da União Europeia mais afetadas pelas alterações climáticas. O ano corrente é bem ilustrativo do impacto negativo que este fenómeno tem na agricultura.

O desenvolvimento de novas variedades de cereais mais adaptadas às condições extremas e mais resistentes às doenças e pragas emergentes é decisivo para a agricultura do futuro. Por outro lado, o desenvolvimento de competências e capacidades que nos permitam gerir melhor as necessidades hídricas das plantas são fundamentais.

Neste contexto, o INIAV, o ARVALIS – Institut du Végetal e a ANPOC desenvolvem desde 2011, o programa de investigação Ideotipo Sul cujo objetivo principal é melhorar a adaptação e resposta da produção de trigo duro e trigo mole aos riscos climáticos em ambiente mediterrânico.

No âmbito deste projeto foram instalados na Estação de melhoramento de Plantas (INIAV – Elvas) no ano agrícola corrente (2016/2017), ensaios de trigo mole e trigo duro, em duas situações de regime hídrico: sem rega suplementar (sequeiro) e com rega suplementar (regadio).

Os ensaios incluíram um conjunto de variedades portuguesas e francesas de trigo mole e de trigo duro e foram instalados em blocos randomizados com 3 repetições. O teor de água no solo foi monitorizado por sensores Watermark, instalados a 30, 60 e 90 cm de profundidade. A rega estendeu-se do início do emborrachamento até à fase de grão leitoso.

(Continua).

Nota: Artigo publicado na edição n.º 9 do Suplemento Grandes Culturas, publicado com a Revista Agrotec 24.

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