Sever do Vouga cria Bolsa de Terras para cultivo do mirtilo

Os agricultores que pretendam iniciar ou expandir a produção de mirtilos vão ter à sua disposição 40 hectares de terrenos semiabandonados no concelho de Sever do Vouga que poderão cultivar.

Trata-se da criação de uma Bolsa de Terras que resulta de um contrato de parceria entre a AGIM – Associação para a Gestão, Inovação e Modernização do Centro Urbano de Sever do Vouga, a Fundação Bernardo Barbosa de Quadros e a empresa Espaço Visual – Consultores de Engenharia Agronómica, L.da.

O acordo foi assinado esta manhã, dia 24 de abril, no Auditório do Vougapark, em Paradela do Vouga (Sever do Vouga), por Manuel Soares, na qualidade de presidente da AGIM, por Paulo Machado, presidente da Direção da Fundação Bernardo Barbosa de Quadros, e por José Martino, gerente da Espaço Visual.

bolsa de terras2Na foto: José Martino, Manuel Soares e Paulo Machado assinaram o protocolo para a Bolsa de Terras de Sever do Vouga

Ao todo, irão ser disponibilizados 40 hectares de terras, repartidos por 22 parcelas, propriedade da Fundação Bernardo Barbosa de Quadros, situados nas freguesias de Rocas do Vouga e Silva Escura. As parcelas de terreno, com áreas já definidas, variam entre os 1,23 e os 2,38 hectares, pretendendo-se que, no futuro, as plantações de mirtilos ali colocadas possuam uma área de plantação efetiva que poderá variar entre 1 hectare e 1,5 hectares.

A Bolsa de Terras destina-se a interessados com mais de 18 anos que queiram dedicar-se à cultura do mirtilo e que detenham, pelo menos, 15% de capital próprio do valor a investir. Será dada prioridade aos candidatos residentes e naturais da freguesia de Rocas do Vouga, seguindo-se os residentes no concelho de Sever do Vouga, os naturais do concelho de Sever do Vouga embora não residentes, e jovens agricultores.

Cada agricultor poderá candidatar-se apenas a uma parcela, estando o investimento médio estimado em 76 mil euros por hectare, valor que poderá beneficiar de apoios comunitários através do programa PRODER, entre outros.

O contrato de arrendamento a assinar com o agricultor prevê que este pague uma renda anual que varia entre os 595 euros anuais para a parcela menor e os 1235 euros anuais para a parcela de maior dimensão.

O contrato de arrendamento é válido por 15 anos, que serão renováveis de cinco em cinco anos, e entrará em vigor em 1 de novembro de 2013.

A partir de hoje os interessados devem contactar a AGIM através do e-mail agim@severdovouga.pt ou do telemóvel 911 756 814 com o objetivo de agendar uma reunião para apresentação da bolsa de terras e explicação do modelo de negócio, o que inclui uma visita aos terrenos.

As candidaturas à bolsa de terras de Sever do Vouga podem ser apresentadas a partir de 1 de maio podendo ser entregues na sede da AGIM (Edifício Vougapark) ou através do e-mail agim@severdovouga.pt. No dia 13 de maio, pelas 14.30 horas, no Edifício Vougapark, será divulgada a lista dos candidatos e atribuídos os lotes de terreno.

Estima-se que a Bolsa de Terras vá criar 22 postos de trabalho permanentes e cerca de 400 postos de trabalho sazonais por ocasião da apanha do mirtilo, que ocorre entre Maio e Agosto.

O investimento total a ser feito na Bolsa de Terras ultrapassa os três milhões de euros.

A importância da Bolsa de Terras

Manuel Soares, presidente da AGIM, e também da Câmara Municipal de Sever do Vouga, enalteceu “a disponibilidade da Fundação Bernardo Barbosa de Quadros por ter cedido os terrenos e da empresa Espaço Visual por prestar o acompanhamento técnico necessário”.

Segundo o responsável da AGIM, a criação desta Bolsa de Terras é mais um passo para a afirmação da marca registada “Sever do Vouga Capital do Mirtilo”. É também mais uma atividade das inúmeras que a AGIM tem vindo a desenvolver na fileira dos pequenos frutos, atuando já em todo o território nacional através da representação dos interesses dos produtores nesta área e da prestação de apoio técnico.

Paulo Machado, presidente da Fundação Bernardo Barbosa de Quadros, considerou “interessantíssima” a ideia de criar a Bolsa de Terras “não apenas para a Fundação mas para o concelho em geral”.

Por sua vez, José Martino, sócio-gerente da Espaço Visual, destacou a importância da Bolsa de Terras de Sever do Vouga que “é um exemplo do que deveria ser o panorama nacional”, sublinhando que “o país precisa de produzir, de exportar e não é aceitável haver terra ao abandono”. A este propósito, José Martino espera que o Governo avance rapidamente com a legislação que operacionalize a bolsa pública de terras. Afirmou ainda que “a bolsa de terras de Sever do Vouga pode ser um exemplo, ao nível da organização e da prestação de serviços para a bolsa de terras nacional ser um sucesso”.

Sobre o mirtilo

mirtilosO mirtilo é um fruto silvestre com um sabor distinto, vastamente conhecido pelas suas propriedades medicinais. É um poderoso antioxidante e é conhecido por muitos como “o fruto da juventude” habitualmente usado no tratamento de algumas infeções. Além de várias vitaminas, o mirtilo é rico em sais minerais, magnésio, potássio, cálcio, fósforo, ferro, entre outros elementos. Também no mundo da culinária, assume-se como um fruto extremamente versátil capaz de compor qualquer tipo de prato. No concelho de Sever do Vouga, encontram-se as condições edafoclimáticas ideais para a produção deste pequeno fruto.