Setor vitivinícola contribuiu com 725 milhões de euros para as exportações nacionais

.O Auditório Municipal da Quinta das Pratas, no Cartaxo, recebeu mais de uma centena de profissionais, nas II Jornadas Técnicas da Associação Portuguesa de Enologia (APE), que reuniu personalidades de referência no setor.

Presente naquele evento, o vice-presidente da Câmara Municipal do Cartaxo, Fernando Amorim, referiu que o Cartaxo “quer ver a sua marca Cartaxo-Capital do Vinho reforçada e com reconhecimento na região e no país”, admitindo que “este é um longo caminho, que temos de percorrer com esforço próprio, mas também com o apoio de organizações, empresários e profissionais do setor, a decisão da APE para que fosse o Cartaxo a acolher estas Jornadas, é para nós muito importante”.

Fernando Amorim referiu que “o Cartaxo detém a presidência da Associação de Municípios Portugueses do Vinho. Também neste âmbito, as parcerias de trabalho são fundamentais para que os municípios associados, possam dar um contributo real, num setor que já é e pode vir a ser ainda mais, um pilar de desenvolvimento económico, de inovação e investimento, assim como de preservação cultural e ambiental, em cada uma das regiões”.

João Silvestre, secretário-geral da CVR Tejo, afirmou congratular-se com “estas jornadas, puramente técnicas, por entendermos que a preparação e formação de profissionais é essencial ao setor”, acrescentando que “o aparecimento de novos enólogos, alguns muitos jovens, que trouxeram para a região vontade de inovar, contribuiu para que hoje tenhamos um enorme leque de produtos certificados”. Para João Silvestre “a região Tejo vai-se afirmar como uma região muito importante, no panorama vitivinícola nacional”. Para CVR Tejo, que já exporta 45% do vinho produzido, a aposta de internacionalização centra-se “na Rússia, Estados Unidos da América, China e Brasil”.

Pedro Magalhães Ribeiro, presidente da Câmara Municipal do Cartaxo, juntou-se aos trabalhos durante a tarde, afirmando que “a importância crescente do vinho enquanto produto turístico âncora, de cada uma das regiões, é inquestionável”, referindo-se aos resultados do inquérito promovido pelo IPDT, Instituto de Turismo, junto dos operadores turísticos estrangeiros, que indicam o vinho, como o maior potencial turístico de Portugal e o produto que deve ser divulgado a nível internacional para vender o país como destino, o autarca lembrou que “37% dos operadores estrangeiros questionados, afirmaram que este é o melhor argumento de promoção do país no estrangeiro, e 31% afirmam mesmo que associam o vinho ao turismo nacional, antes do sol e mar. Esta mudança prende-se, certamente, com o enorme investimento em tecnologia, mas também em conhecimento e formação dos profissionais do sector”.

Setor vitivinícola contribuiu com 725 milhões de euros para as exportações nacionais

Frederico Falcão, presidente do IVV, explicou aos presentes que “no que diz respeito às exportações, que foram de 700 milhões de euros em 2012 e de 725 milhões de euros em 2013″, houve um crescimento em valor, mas uma regressão da quantidade exportada. O que atribuiu ao facto de as exportações terem crescido “no vinho engarrafado, mas regredido no vinho a granel, o que aumentou o preço médio em 13%”.

Quanto ao mercado interno, Frederico Falcão mostrou também alguma preocupação, “este mercado regrediu, 78% das vendas são feitas em grandes superfícies, mas houve uma grande quebra de vendas em restauração”.

Outro assunto abordado pelo presidente do IVV, foi a distribuição de direitos de vinha na reserva, que se enquadra na estratégia de promover “o aumento da dimensão das nossas parcelas, que em 2000 eram em média de 2300 m2 e em 2013 eram de 2800 m2, quase não cresceram em 13 anos”. Recentemente o IVV lançou 120 ha para jovens agricultores e prevê lançar mais 800 ha também para jovens agricultores – sendo 300 ha para primeiras instalações, 500 ha sem esta condição – e 850 para os restantes agricultores.

Frederico Falcão deu conta de algumas alterações que os próximos anos vão trazer à viticultura, “os direitos de vinha acabam em 2015 e, em 2016, começa o sistema de autorizações, que terão validade de 8 anos”, acrescentando que “haverá alterações, que decorrem de regulamentação europeia e que vão ser muito importantes, como a impossibilidade de vender direitos de vinha, quando esta é arrancada, ou a imposição de uma quota anual disponível na europa e para cada país, para crescimento de área plantada”.

A necessidade de os produtores usarem a marca Wines of Portugal, como modo de aumentar o reconhecimento nos mercados estrangeiros, o esforço a fazer para chegar ao consumidor final – como já se conseguiu em relação aos especialistas e críticos de vinho de renome internacional – assim como a necessidade de que os profissionais se registem como enólogos, agora que o IVV, em conjunto com a APE, conseguiram regular a profissão, foram outros assuntos tratados.

 

Fonte: local.pt (via IVV)