Searas estão a recuperar e laranja do Algarve vem mais pequena

As chuvas de março trouxeram boas notícias para os agricultores, embora o excesso de água nos terrenos possa começar a prejudicar as culturas da primavera-verão em algumas zonas do país. As necessidades de água e de ração para alimentar o gado são também cada vez menores.

laranja

As searas estão a registar uma «recuperação substancial do seu desenvolvimento» e o mesmo acontece com os prados, pastagens permanentes, como semeados e naturais, bem como com as culturas forrageiras anuais, destinados à alimentação do gado. Nas culturas de primavera-verão as perspectivas também melhoraram, esperando-se um acréscimo de área em algumas culturas, como a da batata, e nos pomares do Algarve a laranja promete vir com boa qualidade, ainda que de calibre reduzido.

A avaliação é do Gabinete de Planeamento, Políticas e Administração Geral (GPP) do Ministério da Agricultura e decorre a auscultação de um painel de agricultores representativos de cada atividade realizada até 15 de março. Esta segunda-feira, refira-se, o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) atualizou o índice meteorológico da seca a 31 de março e afastou de vez o fantasma da seca que assombrava o país desde Abril de 2017.

Depois de em fevereiro o país estar ainda com quase 10 por cento do território em seca severa, março trouxe a tão esperada chuva e alguma normalidade à agricultura. Em meados do mês, de acordo com o Ministério da Agricultura, os cereais de outono/inverno estavam no seu normal ciclo produtivo, enfrentando-se apenas duas situações de exceção: um certo atraso a Norte, devido às baixas temperaturas, e «princípio de asfixia radicular em culturas instaladas em solos mais delgados no Alentejo», já que em algumas zonas os níveis de chuva já eram superiores aos que os solos podiam absorver, tornando-se a água excessiva para as plantas.

A chuva atrasou também algumas culturas de «primavera-verão, com o teor da água nos solos a condicionar a preparação para sua instalação, bem como a realização de sementeiras e plantações, e a possibilidade de utilização de máquinas. «De referir algumas situações particulares, como as plantações de batata de regadio já efetuadas, que permitem prever a manutenção ou mesmo acréscimo de área», sublinha o Ministério da Agricultura.

As condições climatéricas, com chuva e ventos fortes provocaram também alguns danos nos pomares de ameixeira e pessegueiro da região centro e Lisboa e Vale do Tejo, e nas maçãs e peras do Alentejo que estavam a florir antes de tempo e que registaram queda da flor. «No Algarve, os pomares de citrinos apresentam bom aspeto e vigor vegetativo, boa qualidade dos frutos, mas calibre reduzido», sublinha o Ministério da Agricultura.

Com a melhoria registada nos prados e pastagens as necessidades de ração para alimentar o gato têm sido cada vez menores e o mesmo acontece com o abeberamento, que já está também a realizar-se sem dificuldades devido à «reposição significativa de água nas pequenas barragens e charcas».

Na semana passada, o ministro da Agricultura, Capoulas Santos, afirmou que os recursos hídricos de que o país já dispõe fazem antever «o exercício de uma atividade agrícola quase normal», assinalando que «o pior que nos poderia acontecer agora», seria que «a chuva continuasse de tal modo persistente que viesse causar dificuldades às culturas de primavera-verão que vão iniciar-se dentro de pouco tempo, como o tomate e as hortícolas». Continuando a situação climática «nestes termos», então «poderemos vir a ter um ano agrícola normal», concluiu o ministro da Agricultura.

A 31 de março, segundo a Agência Portuguesa do Ambiente (APA), das 62 albufeiras monitorizadas pelo Sistema Nacional de Informação de Recursos Hídricos (SNIRH), 33 tinham já apresentam disponibilidades superiores a 80 por cento do volume total. Apenas três apresentavam disponibilidades inferiores a 40 por cento e situavam-se todas três na bacia do Sado: Fonte Serne estava a 39 por cento, Campilhas a 26, e Monte da Rocha, também a 26 por cento.

Por outro lado, os armazenamentos por bacia hidrográfica estavam, no final de março, a níveis superiores à média de armazenamento para este mês, com exceção apenas para as bacias do Mondego, Ribeiras do Oeste, Sado, Guadiana e Ribeiras do Algarve.

Fonte: jornaldenegócios