Resultados de quatro anos de produção de mirtilo em cultura protegida

mirtilos

Por Pedro Brás de Oliveira e Anabela Reis Silva | Instituto Nacional de Investigação Agrária e Veterinária, I.P.

A produção de mirtilos em Portugal atingiu em 2015, últimos dados oficiais disponíveis, uma área plantada superior a 1300 hectares (INE, 2016), tendo representado um valor exportado de aproximadamente 5 milhões de euros (SIMA, 2016).

É neste momento o pequeno fruto que ocupa maior área no país, caracterizando-se a sua cultura por pequenas plantações no solo principalmente localizadas na região norte. No entanto, tem-se observado um enorme interesse na cultura por diversas empresas estrangeiras que se instalaram na região do sudoeste alentejano, estando estas a praticar a cultura do mirtilo em substrato.

A cultura do mirtilo em substrato pode ser realizada tanto ao ar livre como em cultura protegida.

Dados os investimentos que a cultura protegida do mirtilo em substrato implica, todos os custos devem ser bem ponderados antes de se optar por este modo de cultivo.

O conhecimento técnico sobre a adaptação do mirtilo a esta nova forma de produzir é escasso, facto comprovado pelo reduzido número de comunicações sobre o tema, no último congresso mundial que se realizou na Florida, USA, em 2016. Neste congresso foram apresentadas 129 comunicações (60 orais e 74 em poster) em que apenas quatro se dedicaram de alguma forma à produção de mirtilo em substrato.

O INIAV, I.P., em colaboração com ISA-UL, apresentaram três dos referidos trabalhos o que coloca Portugal como um dos países em que a investigação nesta área se encontra mais em sintonia com a produção (Oliveira et al., 2016; Parente et al., 2016; Pinto et al., 2016).

No entanto, é de salientar que o avanço tecnológico tem sido fundamentalmente realizado pelas empresas que são, neste momento, o garante da inovação nesta área.

No sentido de desenvolver novas tecnologias de produção de mirtilo, retomaram-se em 2011, na Herdade Experimental da Fataca (HEF), um conjunto de ensaios de produção precoce e tardia de mirtilos em substrato já apresentado em artigo anterior publicado nesta revista (Oliveira e Silva, 2016).

No presente trabalho reportam-se os resultados do quarto ano de produção de uma plantação de mirtilos do tipo "Southern Highbush" (SHB) em substrato com quatro cultivares; Paloma, Star, O´Neil e Legacy que se tem mantido ao longo dos últimos cinco anos em Odemira.

A metodologia utilizada encontra-se descrita em Oliveira e Silva (2016) tendo-se mantido, em 2016, as plantas em vasos de 25 litros com quatro gotejadores com um débito de 2L/h. As regas foram diárias variando de duas a quatro consoante o período do ano e condições de clima.

As podas ao longo dos anos foram sempre bastante severas com redução de aproximadamente 60% da copa.

O compasso em 2016 foi mantido na distância de 1,0 m entre plantas na linha. Foram recolhidos os dados da produção de 24 plantas por cultivar e peso médio dos frutos durante todo o período de colheita. São apresentados os valores paras os anos de 2013, 14, 15 e 16.

As plantas de mirtilo cultivadas em substrato apresentam um crescimento vegetativo muito exuberante. No entanto, estes crescimentos são contrariados com a poda severa após a colheita tentando manter a planta com porte reduzido (figura 2).

(Continua).

Nota: Este artigo foi publicado no suplemento Pequenos Frutos 18 publicado com a edição n.º 22 da Revista Agrotec. Para aceder à versão integral, solicite a nossa edição impressa. Contacte-nos através dos seguintes endereços:

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