Produtores de Uvas e Citrinos terão mais facilidade em exportar para o Brasil

As restrições à exportação de uva de mesa e de citrinos portugueses para o mercado brasileiro serão levantadas dentro de 30 dias, assegurou o vice-primeiro-ministro do governo português, Paulo Portas, que confirmou ter agilizado os contactos entre as ministras da Agricultura de ambos os países no sentido de criar condições para acelerar a certificação e a exportação de produtos agrícolas que, muito frequentemente, esbarram com barreiras não-alfandegárias do outro lado do Atlântico, quando pretendem entrar num mercado de 200 milhões de consumidores.

O vice-primeiro ministro protuguês e o seu homólogo brasileiro, Michel Temer, anunciaram, por seu turno, a realização da próxima cimeira luso-brasileira em Junho, com o intuito de estreitar o relacionamento bilateral, após terem assinado quatro novos acordos de cooperação, designadamente entre a Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP) e a Agência de Promoção de Exportações do Brasil (Apex-Brasil).

Portas destacou a abertura e o interesse de Portugal em ter capitais brasileiros no país, "numa linha paralela à da internacionalização de empresas portuguesas no Brasil". "As trocas comerciais entre Portugal e o Brasil cresceram algumas centenas de milhões de euros, mas não cresceram ainda o suficiente e sobretudo não cresceram ainda o possível", disse. O vice-primeiro-ministro destacou a abertura de mais mercados no sector agrícola "para produtos, empresas e marcas portuguesas", explicando que alguns processos de certificação de exportações pendentes foram desbloqueados através da intervenção do vice-presidente brasileiro.

Portugal tinha apresentado há dois anos um pedido de exportação de citrinos e uvas de mesa, desbloqueado agora pelo ministério da Agricultura brasileiro.

Os dois governos estão ainda a trabalhar na criação de um "observatório de comércio e investimento que, de uma forma flexível, não burocrática, permita avaliar oportunidades, resolver problemas e acompanhar as empresas que fazem investimentos de um lado e de outro, para que os Estados, as administrações e as burocracias não se transformem em adversários do crescimento ou adversários do investimento", acrescentou Portas.

O vice-presidente do Brasil considerou, por seu lado, que a viagem a Portugal "foi extremamente produtiva". Temer confirmou o interesse de Brasília em que o governo português compre aviões construídos pela Embraer, e disse estar disponível para "entusiasmar" privados brasileiros na privatização da TAP.

Fonte: Jornal de Negócios.