Número de horas de frio na época de floração, colheita e produção da pereira ‘Rocha’

pera

Por Rui Maia de Sousa e Joana Afonso | Estação Nacional de Fruticultura Vieira Natividade – Instituto Nacional de Investigação Agrária e Veterinária

Resumo

Para que a floração e a maturação da cultivar ‘Rocha’ decorram com normalidade é necessário que ocorram entre 1 de outubro e 15 de fevereiro, 550 horas de frio.

Diferentes especialistas vêm referindo que perante o cenário das alterações climáticas a tendência será para que o ciclo das culturas seja mais curto, devido ao aumento da temperatura média do ar, correndo-se o risco de algumas fruteiras deixarem de poder ser cultivadas na região, onde atualmente encontram as melhores condições ecológicas em face dos invernos serem cada vez mais amenos com menor acumulação de horas de frio.

Neste trabalho pretende-se verificar se existe uma relação direta entre o número de horas de frio (h) acumuladas no período entre 1995 e 2018, na região de Alcobaça, e a data de plena floração, o número de dias após a data de plena floração (NDAPF) e a colheita.

Tendo em conta os vários registos, verifica-se que não existe uma relação direta entre a data da plena floração e as horas de frio acumuladas, ou seja, anos com poucas horas de frio acumulado não correspondem a uma época de floração mais tardia. Por sua vez, anos com mais horas de frio acumuladas não coincidem com uma época de floração mais temporã. Em relação ao NDAPF e a colheita também parece não se poder estabelecer uma relação direta.

Neste trabalho, os elementos apresentados são ainda confrontados com a produção nacional de pera 'Rocha' ao longo dos anos.

Introdução

A ‘Rocha’ é produzida, principalmente, numa estreita faixa do litoral, limitada a Sul pela cidade de Sintra, a Norte pela cidade de Alcobaça, a Oeste pelo mar e a Este pelas Serras, pelo que tem algumas exigências edafoclimáticas particulares que podem condicionar a sua produtividade ou mesmo inviabilizar a sua cultura noutras Regiões (Sousa, 2010).

Atualmente a área nacional de pereiras, principalmente de ‘Rocha’, é de 12 564 ha que geram uma produção de 202 277 t (INE, 2018). Estes valores refletem a adaptação desta cultivar às condições edafoclimáticas particulares da Região Oeste de Portugal.

As necessidades em frio de determinada cultivar é o tempo médio necessária de frio invernal para que esta floresça e vegete com normalidade.

A quantificação dessas necessidades em frio é soma do tempo em que a planta está sujeita a uma temperatura inferior a 7,2ºC sendo a unidade utilizada horas de frio (Agustí, 2004). Para que o ciclo vegetativo da pereira ‘Rocha’ decorra com normalidade são necessárias 550 horas de frio entre 1 de outubro e 15 de fevereiro (Couto, 1987).

Diferentes especialistas em alterações do clima referem que perante o cenário das alterações climáticas a tendência será para que no futuro o ciclo das culturas seja mais curto, devido ao aumento da temperatura média do ar. Referem ainda que se corre o risco de algumas fruteiras deixarem de se poder cultivar na região onde atualmente encontram as melhores condições ecológicas, isto devido aos invernos serem cada vez mais amenos com menor acumulação de horas de frio (MAMAOT, 2013).

Sendo a cultura da pereira ‘Rocha’ importante para a economia portuguesa e perante as alterações do clima que estão a ocorrer pretende-se neste trabalho relacionar a evolução do número de horas de frio no período de 1 de outubro a 15 de fevereiro nos anos de 1995 a 2018, a precipitação ocorrida nesse mesmo período, a época de floração, o número de dias entre a plena floração e a colheita e a produção nacional de pera ‘Rocha’.

(continua)

Nota: Esta é a primeira parte do artigo publicado na edição n.º 30 da Revista Agrotec, no âmbito do dossier Fruticultura.

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