Metade das embalagens de fitofarmacêuticos agrícolas são tratadas

Pouco mais de metade das embalagens de produtos fitofarmacêuticos, usados na agricultura contra insetos ou ervas, consideradas resíduos perigosos, foram direcionadas para pontos de recolha adequados, disse o diretor da entidade gestora desses materiais.

fitofarmaceuticos

«Conseguimos subir a taxa de retoma de 47,4% [em 2015] para 53% [em 2016] e, pela primeira vez, ultrapassamos a barreira psicológica dos 50%» daquelas embalagens usadas a serem colocadas nos cerca de 500 pontos de retoma em atividade em cada ano, disse o responsável pela Valorfito, a entidade responsável pelo sistema integrado de gestão de resíduos embalagens e resíduos da agricultura.

Atualmente, a Valorfito pode recolher as embalagens dos produtos fitofarmacêuticos, mas o responsável avançou que, na renovação da licença de atividade, pretende alargar a sua atividade a todas as embalagens do setor agrícola, como aquelas utilizadas para as sementes.

«Esperamos que, no futuro próximo, possamos alargar a nossa ação a todos os resíduos produzidos pela atividade agrícola profissional, como embalagens de adubos e fertilizantes, as tubagens da rega ou os plásticos», avançou António Lopes Dias.

Tal como acontece com as embalagens de produtos de grande consumo, geridas pela Sociedade Ponto Verde e pela Novo Verde, os fabricantes são responsabilizados pelo tratamento dos resíduos do material de embalagem, tarefa que passa para a Valorfito.

No ano passado, foram colocadas no mercado 726 toneladas de embalagens de fitofarmacêuticos primárias, as que estão em contacto direto com o produto, menos quase 12% que em 2015, segundo números da Valorfito.

Daquele total, 79% são de plástico, 8% são de materiais mistos, 7% de papel e cartão e 5% de metal.

A entidade gestora retomou 385 toneladas, menos 1,2% que em 2015.

«Uma grande parte, entre 75% a 80%, [das embalagens] são recicladas e aquelas que não são recicláveis destinam-se a incineração com valorização energética», explicou o diretor da entidade.

As taxas de retoma mais baixas registam-se no norte do país, onde as propriedades têm menores dimensões, enquanto no sul, como nos distritos de Évora ou Beja, chegam a atingir 70%.

O objetivo é atingir 60% de embalagens retomadas em 2020.

Para tentar aumentar o número de agricultores abrangidos, a Valorfito vai realizar ações específicas nas regiões de minifúndio e procurar envolver as autarquias, para «fazer passar a mensagem aos pequenos agricultores que ainda são uns milhares».

Outro plano para este ano é a realização de um estudo, em colaboração com a Faculdade de Ciências e Tecnologia, da Universidade Nova de Lisboa, para perceber se lavar as embalagens de determinados fitofarmacêuticos três vezes faz com que deixem de ser resíduos perigosos.

Alguns países, como França e Alemanha, consideram que, com aquela prática, os níveis de resíduos na embalagem ficam dentro dos valores legais dos não perigosos.

Fonte: Lusa