Leite: transformações no sistema produtivo mudam paradigma na produção

vacasDecorreu ontem, no âmbito da AgroSemana, feira que decorre durante este fim de semana em Vila do Conde, o Seminário “O Empresário Produtor de Leite: Realidades e Tendências”, onde se debateu a evolução económica da produção de leite na região do Norte de Portugal e o comércio e volatilidade de preços dos cereais na fileira de produção de leite.

Relativamente à evolução económica da fileira, foi discutido o facto da transformação que tem ocorrido no sistema produtivo, desde que se iniciou a massificação da silagem como base da alimentação das vacas, e a concentração da produção em vacarias cada vez de maior dimensão, ter vindo a retirar a competitividade aos produtores leiteiros da Região Norte.

Foi mencionado que, em Portugal Continental, a manutenção da produção de gado em sistemas de confinação total, extremamente dependentes da silagem de milho, fenos e palhas (por vezes importados) e concentrados, encontra as melhores condições na  região  do Ribatejo, onde a produção de milho se pode fazer de forma mais económica, graças ao clima que permite ciclos longos e à estrutura fundiária, além de um mais fácil acesso aos meios de produção (cereais, palhas, bagaço de soja), pelo que os produtores nortenhos poderão seguir um exemplo de uma escola agrícola francesa que, depois de um ano de prejuízo, adotou uma estratégia assente em 3 pontos: redução do número de animais; passagem para um sistema baseado na erva pastada, durante a maior parte do ano; alteração do arraçoamento para nenhuma vaca passar os 10.000 kg e média de 7.000 kg.

Como resultado, os animais alimentados só em pastagens de qualidade têm um potencial de pordução ótimo entre os 6 e os 7.000 kg (305 kg), mas o custo de produção pro hectolitro cai a pique, a sanidade dos animais aumenta significativamente e também a rentabilidade por cabeça e trabalhador.

No final, ficou a ideia de que será difícil mudar a mentalidade dos agentes da fileira, mas que esse será o caminho do futuro para dar mais rentabilidade e qualidade de vida aos produtores.