Jovens agricultores em Portugal

Importa destacar algumas questões que são, hoje, cruciais para a Associação dos Jovens Agricultores de Portugal e motivo de inquietação nos próximos anos.

agricultores

Texto: Eduardo Almendra [Presidente da Associação dos Jovens Agricultores de Portugal – AJAP]

Comercialização das produções

A necessidade premente de produzir mais, com qualidade superior, com menos custos, através da adoção de inputs amigos do ambiente, obriga a uma gestão cada vez mais profissional das empresas agrícolas e do melhor conhecimento do meio onde estão inseridas.

Atualmente os agricultores e jovens agricultores portugueses sabem produzir, têm acesso a mais informação, facilmente vão adaptando as explorações a tecnologias, o que lhes permite agilizar procedimentos e economizar algum tempo que poderia ser destinado, por exemplo, à melhoria da comercialização das suas produções. É perentório afirmar que “A organização da comercialização ainda é um problema em Portugal”.

Reconhecemos melhorias, registadas na última década, particularmente no que respeita à organização, oferta e consequente comercialização de hortícolas, de frutas (em que os pequenos frutos também ganharam destaque), de azeite e no setor das carnes, ainda que este último com um ritmo aquém do desejado.

É fundamental renovar e gerar mais políticas de apoio à concentração das produções, traçar metas simplificadas que promovam a exportação e projetem os produtos nacionais a uma escala global.

Prioridade aos Jovens Agricultores

É imprescindível que os agricultores continuem a ser perseverantes e a depositar confiança nos organismos oficiais de supervisão e apoio à agricultura do MADRF. Temos conhecimento das dificuldades financeiras do PDR, e de prioridades que estão em cima da mesa, como as alterações climáticas que trazem um conjunto de inquietações inerentes.

Ao desenrolarmos o novelo das antelações, detetamos que os Jovens Agricultores merecem mais cuidado e foco por parte dos decisores.

Os Jovens Agricultores são o futuro da agricultura portuguesa, são um pilar estrutural do desenvolvimento da economia do país, das zonas rurais e do combate à desertificação do interior.

Dar prioridade aos Jovens Agricultores deve ser uma marca de qualquer Governo.

Combate à desertificação, Lançamento da Figura do JER – Jovem Empresário Rural

Não é razoável adiar inúmeras vezes, ano após ano, o compromisso publicamente assumido, por vários dos atuais dirigentes do MADRF.

Tanto se escreveu e estudou sobre o assunto, a par de sessões de divulgação da AJAP por todo o país, apelando à iminente instalação de Jovens, particularmente nas regiões do interior de Portugal, a fim de combater a desertificação.

O País aguarda esta tomada de decisão por parte do Senhor Ministro Capoulas Santos, do reconhecimento e publicação da Figura JER. Um passo que tem que ser dado, e que assim permita compor mensurações a inserir no período pós 2020… Caso contrário, após um rol infindável de promessas, a figura “morre” nas mãos do Governo.

Crédito Bancário/Crédito aos Jovens

Não se pode continuar a estimular uma política de instalação de jovens agricultores em Portugal com taxas de apoio ao investimento tendencialmente mais reduzidas, se a banca não estiver sensibilizada pelo próprio MADRF para esta realidade. Não basta a banca saber que os agricultores na sua generalidade honram os seus compromissos, pois a avaliar pala documentação e exigências que são solicitadas, mesmo com os projetos já aprovados, tem conduzido a inúmeras desistências por parte de muitos Jovens Agricultores.

Nova Revolução nos Campos

Quanto mais e melhor informação, mais precisa será a decisão. Depois da ‘revolução’ que foi a incorporação de computadores nas máquinas e alfaias agrícolas, a precisão da agricultura é, cada vez mais, ao nível de cada planta e de cada fruto. A tecnologia torna viável a disponibilização de dados específicos das culturas, permitindo a tomada de decisões assertiva, e a redução da incerteza do negócio, consentindo uma exploração mais racional dos sistemas produtivos e à minimização dos impactos ambientais.

Apostar na tecnologia, na apelidada agricultura de precisão é garantir um sistema saudável de competitividade e sustentabilidade nos campos de hoje e do futuro.

Nota: Artigo publicado na edição n.º 27 da Revista AGROTEC .

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