Investigadores da FCTUC realizam campanha de sensibilização sobre praga do percevejo asiático

O percevejo asiático é a nova praga que tem atingido toda a Europa. A espécie ainda não invadiu Portugal, mas os sinais de alerta estão no nível máximo, dada a sua capacidade de destruição das culturas.

Para sensibilizar a população em geral, e os produtores agrícolas em particular, uma equipa do FLOWer Lab (Centre for Functional Ecology), da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC), iniciou uma campanha de sensibilização sobre a problemática desta praga.

A campanha, insere-se no projeto i9Kiwi e inclui vários materiais de divulgação, entre os quais "panfletos acerca do percevejo asiático, difundidos em formato físico ou através das redes sociais, bem como a realização de comunicações públicas e publicações técnicas, alertando para a problemática deste inseto", é possível ler-se no comunicado emitido pela organização.

Os investigadores apelam também à participação de todos os cidadãos através da partilha no grupo de Facebook "Percevejo asiático (Halyomorpha halys) PT", ou via e-mail (h.halys.i9k@gmail.com). Tal como acontece com a vespa velutina, o público em geral deve avisar na hipótese de avistar a espécie.

João Loureiro, investigador do FLOWer Lab, «o estabelecimento de mais uma praga agrícola no nosso país, especialmente de um inseto picador-sugador capaz de se alimentar em mais de 300 espécies de plantas nas suas diferentes estruturas (frutos, folhas, rebentos...), incluindo inúmeras plantas de interesse agrícola, poderá ter efeitos muito negativos para a agricultura».

Hugo Gaspar, outro investigador do FLOWer Lab, observa que «o clima favorável em Portugal, a rápida progressão observada e os danos agrícolas e de saúde pública com difícil combate, e a intersecção verificada em Portugal no início do ano, tornam imperativo trazer o conhecimento ao público e assim tentar evitar a expansão silenciosa. O estado de alerta é a melhor medida que podemos tomar neste momento e a ajuda de todos é essencial, principalmente através da participação ativa dos produtores agrícolas».

Nativo do oeste asiático, o percevejo asiático foi introduzido acidentalmente nos continentes americano, nos EUA em 2001 e no Chile em 2017, e europeu, na Suíça em 2004. Atualmente, já se contam 22 países invadidos. Apesar das populações estabelecidas mais próximas estarem na Catalunha desde 2016, no início de 2019, o inseto foi intercetado na região de Pombal, em equipamento agrícola importado de Itália, país europeu onde se estão a verificar os maiores prejuízos económicos.