Excesso de produção de batata é um problema da conjuntura do mercado

A Associação Portuguesa de Empresas de Distribuição (APED) considera que o excesso de produção de batata é um problema que resulta «exclusivamente» da conjuntura do mercado.

batata

A justificação da APED surge depois do descarregamento de algumas toneladas de batata junto a vários hipermercados em Salvaterra de Magos, Santarém, esta semana.

«A APED lamenta que as insígnias da distribuição estejam a ser utilizadas, mais uma vez, para resolver um problema que resulta exclusivamente da conjuntura de mercado, iludindo os consumidores portugueses, não permitindo um debate esclarecido dos problemas reias desta fileira», disse a associação, em comunicado.

Na nota enviada, a APED afirma que «tem conhecimento e está consciente de que a atual conjuntura de mercado no que respeita à produção e escoamento de batata nacional tem tido como consequência a quebra de preço pago à produção», mas explica que este contexto deriva essencialmente do excesso de produção este ano, pelo que as estruturas associativas estão já em diálogo com o ministério da Agricultura de forma a ser encontrada uma solução para atenuar os efeitos que se estão a sentir.

«A APED tem mantido um diálogo com as estruturas representativas desta fileira, bem como tem vindo a colaborar para a criação de uma estratégia de valorização da batata nacional, tendo os seus associados há muito desenvolvido um conjunto de parcerias para a valorização da produção nacional», refere.

O comentário surgiu depois de vários órgãos regionais terem noticiado o descarregamento de algumas toneladas de batata durante a madrugada junto de três hipermercados situados em Salvaterra de Magos, com vários populares a aproveitarem para encher sacos e levarem para casa.

Rodrigo Vinagre afirmou que a «aflição» é transversal aos produtores de batata, recordando António Gomes que a associação alertou a semana passada o ministério da Agricultura e a APED para a situação que se vive no setor.

Com excesso de produção e sem estar a exportar, os armazéns estão cheios, tendo sido solicitado às grandes superfícies para que «afinem o preço à situação» e façam campanhas de promoção da batata nacional, disse.

Rodrigo Vinagre afirmou que o facto de este ano a produção nacional ter começado a colocar batata no mercado «mais cedo do que é normal», de estar a produzir mais e em mais área levou a que a oferta fosse maior que a procura, originando preços «muito maus».

O dirigente associativo disse à agência Lusa que os produtores estão a receber entre cinco e nove cêntimos por quilograma de batata, que é depois vendido nos supermercados a 50, 60 ou 70 cêntimos, uma situação que também atribui à incapacidade de os agricultores se juntarem e ganharem força junto da distribuição.

O apelo para o Ministério da Agricultura foi no sentido de ser facultado algum apoio que permita o armazenamento de batata em câmaras de frio, por «dois ou três meses», para escoamento em período de menor oferta, afirmou.

À APED foi pedido que deixe de colocar no mercado batata de conservação, sobretudo proveniente de França, alguma há dez meses em câmaras, num período em que há batata nova nacional.

António Gomes adiantou ainda que a situação do sector será discutida na próxima semana numa reunião com o secretário de Estado da Agricultura.