Curso de Operadores de Máquinas Agrícolas na Universidade de Évora

Vai decorrer entre 23 de julho e 14 de setembro de 2018, na herdade da Mitra, na Universidade da Universidade de Évora, sob administração da ZEA- Sociedade Agrícola Unipessoal, Lda, a 37ª edição do “Curso de “Operadores de Máquinas Agrícolas” (COMA2018).

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Este curso, que se realiza desde o ano 1982 em colaboração com o Centro de Emprego e Formação Profissional de Évora, permitiu dar formação a cerca de 700 alunos do ensino superior.

Os formandos são oriundos de vários estabelecimentos de ensino superior: Universidade de Évora, Instituto Superior de Agronomia e Escola Superior Agrária de Elvas.

Têm igualmente beneficiado desta formação, funcionários da Universidade de Évora.

O COMA2018 tem como principal objetivo complementar a componente teórica, fornecida durante os períodos letivos nos diferentes estabelecimentos de ensino superior.

Assenta numa forte componente prática que visa preparar os formandos para a condução de tratores com semi-reboques e para a realização de grande parte das operações culturais que são necessárias realizar, no dia-a-dia, de uma exploração agroflorestal.

Os formandos têm igualmente formação em “Processos e métodos de proteção fitossanitária e de aplicação de produtos fitofarmacêuticos” e em “Proteção de ruminantes e equinos em transporte de longa duração”.

É de salientar o facto de estes formandos trocarem as férias de verão por 275 horas de Sol, por vezes com 40 graus centígrados de temperatura, muito pó e um horário bastante rigoroso.

Dadas as condições atmosféricas, e para que exista uma maior identificação entre os formandos e a realidade alentejana, opta-se por um horário, semelhante ao praticado em algumas explorações agroflorestais.

Assim, na edição deste ano, o curso decorrerá, na maior parte dos dias, entre as 7 horas da manhã e as 13 horas, havendo uma pausa por volta das 10 horas.

O Centro de Emprego e Formação Profissional de Évora disponibiliza, para a presente edição do curso, além das alfaias e de equipamento diverso, tratores com potências compreendidas entre os 35 e os 80 kW.

É de salientar o facto de alguns dos tratores estarem equipados com monitores de rendimento e com componentes eletrónicos que permitem aumentar a produtividade dos equipamentos e fornecer informação importante em relação ao trabalho realizado, o que constitui uma mais-valia para os formandos que com eles trabalharam.

A ação conta igualmente com o apoio de fabricantes e importadores de equipamentos agrícolas, onde exercem funções ex-formandos do COMA, que disponibilizam modelos recentes dos seus equipamentos e cujas instituições do estado não têm capacidade para os adquirir.

No decorrer do curso, ainda que a utilização de alguns dos equipamentos esteja a ficar em desuso em Portugal, mas para fornecer conhecimentos sobre as suas ações no solo, são executadas tarefas de descompactação, com charrua de aivecas e com chisel, e de mobilização com vibroflex, com vibrocultor, com grade de discos e com escarificador.

Estas operações poderão ainda ser uma realidade em agriculturas que se praticam noutras partes do Mundo onde estes formandos poderão vir a desempenhar a sua atividade. O conhecimento é um precioso suporte nas tomadas de decisão.

Relativamente aos equipamentos de sementeira e de distribuição de fertilizantes são utilizados: semeador de linhas clássico de distribuição mecânica, distribuidor centrífugo de pêndulo e distribuidor de discos equipado com componentes eletrónicas que permitem aplicação de forma diferenciada, com o apoio do GPS, em função do solo e das necessidades das culturas.

São igualmente utilizados equipamentos para efetuar tratamentos fitossanitários sendo, como não poderia deixar de ser, praticada a condução de tratores com semi-reboque.

Os formandos realizam também trabalhos com carregador frontal. Atendendo à diversidade de tarefas praticadas no dia-a-dia das explorações torna-se cada vez mais necessário operar de forma segura, pelo que os cuidados segurança e de higiene no trabalho estão sempre presentes.

As mais-valias deste curso são a forte componente prática e o acesso a tecnologias de ponta que, se bem que não existem em algumas explorações agroflorestais estão, cada vez, mais difundidas.

Os formandos ficam assim da posse de conhecimentos que lhe permitem trabalhar no imediato com equipamentos que permitem reduzir os custos de produção, aumentar a quantidade e a qualidade dos produtos tendo presentes os aspectos relacionados com a segurança e com a conservação do ambiente.

Ficam também na posse de conhecimentos que lhe permitirão, no futuro, compreender e utilizar novos equipamentos, e sistemas, de um sector que se pretende em constante evolução.

Está prevista uma visita à Agroglobal que permitirá possibilitar aos formandos contacto com equipamentos e tecnologias recentes e, também, com colegas que obtiveram aprovação em anteriores edições do COMA e que, presentemente, desenvolvem a sua atividade em diversas empresas ligadas ao sector agroflorestal.

No final do curso, será feita a avaliação dos conhecimentos adquiridos. Esta avaliação consiste na execução de provas escritas e de provas práticas.

Na sessão de encerramento que este ano terá lugar dia 14 de setembro, estão normalmente presentes diversos agentes ligados à mecanização.

«A escassez dos produtos alimentares é uma ameaça a nível mundial. O aumento dos preços dos fatores de produção que se regista a nível mundial, nomeadamente dos equipamentos, dos combustíveis e dos lubrificantes, dos fertilizantes, dos fitofármacos e da água obriga uma utilização racional de forma a reduzir os custos de produção e a proteger o ambiente. Os alunos que completam este curso ficam na posse de conhecimentos que lhes permitem praticar uma agricultura que permita o desenvolvimento regional e nacional na tentativa de tornar Portugal menos dependente do exterior. De realçar que têm frequentado o curso alunos de todo o país incluindo Madeira e Açores o que nos permite dizer que o curso tem uma abrangência nacional», refere Anacleto Cipriano Pinheiro, do Departamento de Engenharia Rural, da Escola de Ciências e Tecnologia, Instituto de Ciências Agrárias e Ambientais Mediterrânicas da Universidade de Évora.