FacebookLinkedin

Agrotec

Cultivo de Cannabis: um negócio emergente?

Colorado, Estados Unidos da América, 1 de janeiro de 2014 – Dezenas de pessoas esperam ao frio e com neve, em Denver, capital daquele estado norte-americano, pela abertura das portas de lojas especializadas, onde os maiores de 21 anos podem comprar legalmente cannabis, para fins recreativos.

A venda legal de cannabis foi um facto inédito no território dos Estados Unidos mas, passado alguns meses, os Estados do Alasca e Washington liberalizaram também o consumo desta substância. Esta é uma nota que poderá merecer a atenção dos horticultores europeus.

Anteriormente, o Uruguai já tinha aprovado um projeto que legaliza o comércio desta planta. O plano urugaio vai até mais longe do que as legislações dos estados americanos e de países como a Holanda, dado que o mesmo prevê o controlo de todo o processo de produção e venda de cannabis. Este projeto-lei estipula que o Estado do Uruguai assume o controlo e a regulamentação da importação, do plantio, do cultivo, da colheita, da produção, da aquisição, do armazenamento, da comercialização e da distribuição de cannabis e os seus derivados. O objetivo principal do governo uruguaio é combater a violência, tirando o narcotráfico do mercado, perante o fracasso da guerra direta contra as drogas.

Estas alterações na legislação destes países antevê, à partida, a abertura de uma “nova” indústria, que promete gerar rentabilidade.  Os líderes mundiais olham agora com outros olhos para esta planta, possivelmente antevendo um potencial retorno económico. Exemplo disso são as declarações do próprio Presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, que reconhece a mudança de paradigma, quando confessou já ter fumado erva e afirmou: “Não acho que seja mais perigoso do que o álcool” embora, obviamente, não tenha recomendado o seu consumo, adiantando também que o que mais o incomodava era a injustiça social e as desigualdades sociais que se escondem por trás da política de proibição da cannabis nos E.U.A., dizendo que “os miúdos de classe média não são detidos por fumar erva, os miúdos pobres são”.

Cultivo de Cannabis


Atualmente, existe um enorme entusiasmo naquele país com a possibilidade de uma verdadeira indústria global de cannabis – uma potencial “bolha”, que tem vindo a inchar desde 1 de janeiro de 2014, quando as lojas do Colorado passaram a poder vender esta planta a adultos para fins recreativos. Já se desenvolvem modelos de negócio para fazer disparar esta indústria, que foi tema de capa da revista Fortune. A empresa de consultoria ArcView Group estimou que este mercado possa valer 10.2 mil milhões de dólares em 2019.

Outras previsões económicas indicam que o Estado do Colorado poupará milhões de dólares ao diminuir os custos da luta contra a droga e, para além da poupança, acrescem os impostos: os estabelecimentos vão pagar 25% sobre o valor da venda.

Também recentemente, a cidade italiana de Turim levou ao parlamento um projeto para legalizar o consumo de cannabis para fins recreativos. Em Oakland, nos Estados Unidos, existe desde 2007 a Cannabis College, instituição académica dedicada ao estudo desta substância, tem mais de 17.000 alunos e onde já é possível frequentar um curso para aprender a plantar e obter a máxima produtividade com a sua cultura. É recomendável que os horticultores fiquem atentos ao evoluir dos acontecimentos relacionados com a legalização e produção de cannabis, pois pode muito bem estar aqui uma nova fileira, que pode proporcionar rentabilidades muito interessantes.

In AGROTEC 10