Cortiça quer manter liderança nos EUA

Os mais recentes números da cortiça em Portugal continuam a sublinhar o sucesso do setor, sobretudo na conquista, ou consolidação, dos mercados internacionais.

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Em 2016, cruzando dados do Instituto Nacional de Estatística (INE) e da APCOR – Associação Portuguesa da Cortiça, destacam-se as vendas de derivados de cortiça, que chegaram aos 937,5 milhões de euros, contra 901 milhões de euros de 2015.

Já as exportações, dirigidas a 133 mercados, atingiram cerca de 95% das vendas. E de entre estes mercados, os Estados Unidos da América (EUA) e o Reino Unido assumem, por razões distintas, um papel de destaque nas exportações portuguesas que, segundo a APCOR, não deverão ser afetadas pelas recentes alterações políticas e económicas porque ambos estão a passar.

Segundo explica o presidente da APCOR, João Rui Ferreira, os EUA sempre mereceram uma atenção particular e a possibilidade de ser alterado o paradigma de uma economia circular e sustentável preocupa, obrigando a reforçar essa atenção.

Os EUA são um dos mercados alvo líderes onde o setor tem uma «enorme ambição» e, por isso, o foco está em encontrar formas de manter esta liderança. «No que toca à dita política isolacionista, acreditamos que se irá trabalhar para estabelecer os melhores acordos, e aguardamos pelo desenvolvimento destas matérias. Acreditamos que os americanos vão continuar a encontrar na cortiça o seu produto preferido», conclui o responsável.

Já o Reino Unido é analisado, sobretudo, enquanto grande mercado prescritor e influenciador do mundo vinícola de outras geografias, como a África do Sul, Chile e Austrália.

O Reino Unido é o segundo maior importador mundial de vinho, quer em volume, quer em valor, o que por si justifica a expectativa em torno dos futuros acordos de comércio que se irão estabelecer. A APCOR assegura que o setor está «firmemente convicto» de que a aposta que está a ser feita no Reino Unido, em termos de promoção e comunicação, terá um papel relevante no reforço da imagem da rolha de cortiça junto do consumidor. «A preferência pela cortiça, alicerçada no valor acrescentado que esta pode aportar a uma garrafa de vinho, conjugada com as suas credenciais ambientais e técnicas, tornam-na um vedante de eleição», conclui João Rui Ferreira.

Segundo a APCOR, entre 2016 e 2018 o montante dos apoios totais para promoção é de 7,8 milhões de euros, 85% é investimento do Compete 25. O Reino Unido receberá um milhão de euros de investimento com o objetivo da cortiça nacional recuperar os mercados da África do Sul, Argentina e Chile, enquanto os EUA vão receber dois milhões de euros, sendo um mercado de grande valor acrescentado e onde o vinho acima dos sete dólares representa 43% do negócio e é o que mais cresce.

Na China serão investidos 600 mil euros, enquanto num mercado tradicional como a França, o investimento será de um milhão de euros, naquele que é o maior mercado do mundo de rolhas de cortiça.

Fonte: Jornal Económico