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Agrotec

Alfândega da Fé cede terrenos para Jovens Agricultores produzirem Cereja

A Cooperativa Agrícola de Alfândega da Fé (CAAF) irá, no curto prazo, ceder terrenos, por um período de 20 anos e de forma gratuita, a jovens que se queiram instalar no concelho e dinamizar projetos ligados à produção de cereja. Em declarações prestadas à agência Lusa, Eduardo Tavares, presidente da CAAF, disse que o objetivo é travar o declínio da cultura da cereja no concelho, que se tem verificado nos últimos anos.

«A cooperativa está numa situação financeira melhor que há 10 anos e, por esse motivo, entendemos que é preciso chamar mais gente para ajudar a produzir cereja e termos massa critica vinda de jovens dinâmicos», disse também o dirigente. O processo de concessão de terras vai abrir «a breve prazo» para uma área total de 20 hectares, a disponibilizar aos jovens agricultores por um período de 20 anos para a produção «exclusiva» de cereja.

Este caminho é escolhido porque a Cooperativa entende ser necessário incentivar outros agricultores, de preferência jovens e/ou agricultores que tenham também já na mão outras áreas, mas também agricultores que tenham experiência e canais de comercialização abertos. Para isso a cooperativa, com a ajuda da Câmara Municipal, vai fazer um processo semelhante àquele que foi feito na década de 60, e que permitia à Cooperativa Agrícola iniciar este processo de produção de cereja: a cooperativa usufruiu da cedência de terrenos de agricultores para a cooperativa. "Hoje a cooperativa vai fazer o contrário, temos terrenos que já são nossos (da cooperativa), e vamos concessioná-los por 20 anos a agricultores jovens, associados da cooperativa, que queiram em parceria com a cooperativa, investir na cereja", adianta Eduardo Tavares. «A cereja terá de ser comercializada sob a marca chapéu já existente no concelho Terras de Alfândega», explica. Acrescentou ainda que cada jovem agricultor vai dispor de quatro a cinco hectares de terreno para que o seu projeto tenha «viabilidade». «Os novos pomares poderão trazer entre 8 a 10 toneladas de cereja por hectare.

Vamos dar prioridade a jovens agricultores, a associados, a agricultores que tenham já projetos no âmbito da “PDR 2020”. Vamos dividir esta área em 4 ou 5 parcelas, pois entendemos que a viabilidade desta cultura passa muito por não ter grandes áreas, mas ter áreas mais pequenas, áreas que possibilitem pequenas produções agrícolas em que possa ser aproveitada a mão-de-obra familiar, e isso reduz drasticamente os custos da mão-de-obra. Uma das grandes dificuldades que temos na cereja é, de facto, a disponibilidade de pessoas para trabalhar. E se nós tivermos pequenas produções agrícolas, até 5 hectares, conseguimos que uma família resolva de uma melhor forma esse problema.

Com os 20 hectares podemos aumentar a produção entre 150 a 200 toneladas de fruto/ ano», contabilizou. Segundo o presidente da CAAF, o setor da cereja já teve uma grande importância económica no conselho, chegando a ser um dos maiores pomares do fruto em toda a Europa. «Chegámos a ter 300 hectares de cereja plantados na década de 70 do século passado. Atualmente, cultivamos cerca de 60», frisou.

Para Alfândega da Fé, no distrito de Bragança, a cereja tornou-se na imagem de marca do concelho, servindo inclusive de símbolo no logótipo municipal. Nas décadas de 80 e 90 do século XX, a cereja chegou a rivalizar com o azeite e a amêndoa, em peso económico, e parte da produção era exportada, chegando a servir de recheio aos conhecidos bombons de chocolate "Mon Chéri".
O certo é que a partir dessa altura, houve um declínio muito grande da cultura, a cooperativa não conseguiu dinamizar a atividade, não conseguiu criar os canais de comercialização adequados, os pomares foram envelhecendo, não se criou massa crítica à sua volta, não apareceram novos produtores e a produção esteve sempre muito concentrada só na cooperativa, e isso levou à falta de aposta na comercialização, não havendo trabalho de marketing.

Neste novo milénio de 2000, os pomares foram-se convertendo, apesar de muito tarde, e foram reconvertidos para uma área muito menor do que a anterior. Passamos de 300 hectares para 60 hectares. Houve, no final da década de 90, aposta de alguns agricultores do concelho da cereja. No entanto, como não houve maneira de amparar a comercialização do produto, a maior parte dos agricultores já estão a abandonar a atividade, e têm vindo a abandonar a agricultura nos últimos anos. Hoje, há exceção de meia dúzia de agricultores da freguesia de Sambade, todos os outros agricultores abandonaram a cultura. Pelo que é urgente e é fundamental voltarmos a apostar na cultura.