Chuvas no final do ciclo penalizam a produção de cereais

grandesculturasAs previsões agrícolas do INE, em 31 de julho, apontam para uma campanha cerealífera com produções aquém do esperado, embora superiores às registadas no ano passado, devido essencialmente à elevada precipitação e humidade verificadas no final do ciclo dos cereais que prejudicaram quer o volume da produção, quer a qualidade do grão.

A produção de batata tem sido abundante e de qualidade: os tubérculos apresentam bons calibres e não ocorreram problemas sanitários. O mercado encontra-se devidamente abastecido, o que tem originado dificuldades de escoamento da produção.
As perspectivas para a fruticultura são animadoras, prevendo-se bons rendimentos unitários nos pomares de pomóideas e prunóideas. Em contrapartida, na viticultura prevêem-se decréscimos de produtividade para a maioria das regiões vitivinícolas, devendo globalmente a redução rondar os 6%.
A campanha das culturas de primavera/verão decorre com normalidade, apesar de algum atraso verificado no desenvolvimento vegetativo das plantas. Destaca-se a campanha do tomate para a indústria que apresenta boas perspectivas, esperando-se uma produtividade próxima 85 t/ha, o que representa um aumento de 10% face a 2013.

O mês de julho caraterizou-se em termos meteorológicos por grande instabilidade, apresentando o céu períodos muito nebulados, em particular as manhãs sobretudo na orla costeira. Na 1ª década do mês registaram-se valores da temperatura média do ar mais baixos que o normal em todo o território, verificando-se ao longo do mês um aumento progressivo das temperaturas. Em relação à quantidade de precipitação, o mês de Julho classificou-se como muito chuvoso, sendo o oitavo Julho mais chuvoso desde 1931 e o mais chuvoso deste século, tendo a precipitação ocorrido sobretudo nas duas primeiras décadas do mês.

Estas condições contribuíram para o bom desenvolvimento vegetativo das culturas mas também para algum atraso nas maturações. Por outro lado, verificou-se a necessidade de aumentar o número de tratamentos fitossanitários preventivos para controlar o desenvolvimento de doenças, nomeadamente ataques de míldio e oídio na vinha, pedrado nas pomóideas e bichado nas macieiras.

Os solos continuam em fase de cedência de água às culturas, não se observando sintomas de forte stress hídrico nas culturas de sequeiro, devido à existência de reservas de água resultantes das quedas pluviométricas de Inverno e primavera e aos refrescamentos ocorridos no verão.

Ao longo do mês de Julho verificou-se um aumento da percentagem de água no solo nas regiões do Norte mas nalguns locais do Centro e Sul do Tejo registou-se uma diminuição da capacidade de água utilizável pelas plantas. No final de Julho os valores de água disponíveis para as plantas eram superiores ao normal em todo o território.

A alimentação dos efectivos pecuários tem decorrido com normalidade

As culturas forrageiras e as pastagens, tanto em regadio como em sequeiro, apresentaram na sua generalidade produções abundantes e de boa qualidade. Verificou-se também grande disponibilidade de vegetação espontânea aproveitada para a alimentação animal, quer em pastoreio quer em feno, às quais se juntaram os restolhos dos cereais entretanto colhidos. A alimentação dos efectivos pecuários tem decorrido com normalidade, com o contributo das rações industriais nos arraçoamentos circunscrito aos efectivos leiteiros e de engorda intensiva.

Área de milho para grão de regadio decresce 10 mil hectares

A área de milho de regadio deverá decrescer 10% face a 2013. De um modo geral, e apesar dos atrasos provocados pelas baixas temperaturas na emergência e desenvolvimento inicial da cultura, as searas de milho apresentam um aspecto vegetativo normal.

O nível do preço do milho tem sido a principal preocupação dos produtores, encontrando-se próximo dos praticados em 2013 e, a avaliar pela conjuntura internacional, com tendência para descer.

Produtividade do arroz semelhante à última campanha

A cultura do arroz apresenta, apesar da recuperação observada em Julho, algum atraso (a maioria das searas estão a meio do afilhamento), que se deve não apenas aos condicionalismos verificados nas sementeiras mas também às baixas temperaturas e ao insuficiente número de horas de luz. As condições meteorológicas foram ainda propícias a alguns ataques de afídeos e periculária e também ao aparecimento de algumas infestantes. A produtividade do arroz deverá rondar as 6 t/ha, valor semelhante ao registado na campanha anterior.

As temperaturas relativamente amenas promoveram o desenvolvimento do milho de sequeiro

As condições meteorológicas têm sido favoráveis ao desenvolvimento do milho em regime de sequeiro, cultura circunscrita a algumas regiões do Norte e Centro. De facto, as temperaturas amenas e os elevados teores de humidade dos solos promoveram o desenvolvimento do milho de sequeiro, prevendo-se um aumento da produtividade de 5%, face a 2013.

Produtividade da batata de regadio aumenta 10%

O desenvolvimento da batata de regadio decorreu com normalidade, apresentando a cultura um bom aspecto vegetativo. A colheita já efectuada tem confirmado a boa qualidade dos tubérculos, que apresentam bons calibres e ausência de problemas sanitários. A temperatura e insolação registadas na fase da tuberização favoreceram o desenvolvimento dos batatais, prevendo-se um acréscimo de produtividade na ordem dos 10%, relativamente à última colheita.

Boas perspectivas para o tomate para a indústria

O desenvolvimento vegetativo do tomate para a indústria tem decorrido normalmente, apesar das condições meteorológicas propícias ao aparecimento de míldio e outros fungos terem obrigado ao incremento dos tratamentos preventivos. A colheita iniciou-se na 3ª semana de Julho e tem decorrido lentamente em virtude das searas apresentarem muito tomate verde. Embora os valores de brix ainda sejam baixos, situação normal nas variedades mais precoces, as perspectivas para actual campanha do tomate para a indústria são animadoras, esperando-se uma produtividade próxima das 85 t/ha, o que representa um aumento de 10% face à campanha anterior.

As searas de girassol apresentam bom desenvolvimento e capítulos bem formados, devendo a produtividade ser próxima da registada em 2013.

Decréscimo de produtividade das macieiras deverá rondar os 5%

Na região do Oeste as macieiras apresentaram uma floração e vingamento regulares o que, conjugado com a evolução das temperaturas, promoveu o crescimento dos frutos. Em contrapartida no Interior Norte a floração/vingamento não decorreu nas melhores condições, devendo o aumento dos calibres ser insuficiente para compensar o menor número de frutos, prevendo-se assim um decréscimo global da produtividade que deverá rondar os 5% face a 2013.

Campanha da pêra decorre com normalidade

Nos pomares de pereiras o estado vegetativo das árvores é bom, dado que durante o ciclo não se verificaram problemas fitossanitários significativos nem acidentes meteorológicos. As condições foram muito favoráveis na fase de vingamento do fruto (temperaturas relativamente elevadas e fraca precipitação), havendo mesmo necessidade de efectuar a monda de frutos para aumentar o respectivo calibre. Devido ao maior calibre dos frutos estima-se um ligeiro acréscimo de produtividade (+3%).

Aumentos de produtividade nas prunóideas

A colheita do pêssego tem confirmado um aumento na produtividade de 45%, face a 2013 (campanha fortemente afectada por condições meteorológicas desfavoráveis e por problemas fitossanitários). A produtividade do pêssego deverá mesmo ultrapassar a média do último quinquénio (+7%), uma vez que as variedades mais tardias apresentam bons rendimentos e calibres, favorecidos pelas condições meteorológicas ocorridas durante os períodos mais sensíveis de desenvolvimento e crescimento dos frutos.

Também nos amendoais as condições climatéricas, face à campanha anterior, foram consideravelmente mais favoráveis ao vingamento e desenvolvimento dos frutos, prevendo-se um acréscimo significativo da produtividade (130%) em relação à última campanha, que foi submetida a condições climatéricas muito adversas.

Condições meteorológicas prejudicaram o rendimento da vinha para vinho

Na maioria das regiões vitivinícolas prevêem-se decréscimos das produtividades da vinha para vinho, em alguns casos, resultantes das baixas temperaturas e elevadas precipitações ocorridas na fase de floração que originaram desavinho (acidente fisiológico em que não ocorre a transformação das flores em fruto) e bagoinha (acidente fisiológico em que no mesmo cacho aparecem, além de bagos normais, bagos de dimensões reduzidas, por vezes sem grainha e sem atingirem a maturação). Noutras regiões o excesso de humidade promoveu o desenvolvimento de míldio, oídio e podridão, o que obrigou ao aumento do número de tratamentos fitossanitários. O decréscimo global da produtividade da uva para vinho deverá rondar os 6%, sendo a Península de Setúbal e as Terras de Cister as únicas regiões vitivinícolas onde as previsões apontam para aumentos do rendimento da vinha, face a 2013. No Alentejo a produtividade deverá ser próxima da obtida em 2013, uma vez que os focos de oídio e míldio que surgiram foram atempadamente debelados, apresentando as uvas um bom aspecto sanitário.

Na uva de mesa a floração e a alimpa decorreram, em geral, sem problemas, prevendo-se um aumento de 5% na produtividade.

Chuvas de verão penalizaram a campanha de cereais de outono/inverno

As produções dos cereais praganosos de Outono/Inverno, embora, de um modo geral, superiores às da campanha passada, ficaram aquém do inicialmente esperado. Para este facto, contribuíram a elevada precipitação e humidade verificadas no final do ciclo que originaram a invasão de infestantes tardias e o aparecimento de ataques de ferrugem. A qualidade do grão dos cereais foi assim consideravelmente penalizada, em particular a dos trigos que se encontram muito sujos e com baixos pesos específicos. De salientar ainda que, pontualmente, algumas searas foram fenadas e ou pastoreadas por não justificarem a ceifa, devido ao surgimento tardio de infestantes e às perspectivas de baixa produção e má qualidade do grão.

Aumento da produção de batata sequeiro ronda os 15%

A produção de batata de sequeiro deverá registar um acréscimo de 15%, resultado do aumento das áreas plantadas, e da respectiva produtividade, apresentando os tubérculos, de um modo geral, bons calibres. O mercado encontra-se assim abastecido por produção em quantidade e boa qualidade, verificando-se dificuldades de escoamento. O produto encontra-se há algum tempo subvalorizado no circuito comercial, sendo uma tendência que não se deverá inverter a curto prazo.

 Ler aqui.