«As práticas agrícolas no concelho de Odemira são do melhor que se faz no mundo»

A AHSA - Associação dos Horticultores, Fruticultores e Floricultores dos Concelhos de Odemira e Aljezur nasceu da vontade de um grupo de empresas do perímetro de rega do Mira, no Sudoeste Alentejano na área da Horticultura e Floricultura. Em entrevista à AGROTEC, e no âmbito do dossier dedicado ao tema, Margarida Carvalho, diretora executiva desta entidade fala da importância da agricultura que se faz neste território.

Entrevista: Ana Clara | Fotos: AHSA 

margarida

AGROTEC: Gostaria de começar pela criação da AHSA. Sei que foi criada em 1997, mas gostava que abordassem a evolução da associação até aos dias de hoje.

MARGARIDA CARVALHO: A AHSA surgiu da vontade de um grupo de empresas do Perímetro de Rega do Mira, na área da horticultura, fruticultura e floricultura, que abastecem mercados cada vez mais exigentes, e que possuem os mesmos valores de respeito e responsabilidade social e ambiental, responder conjuntamente aos desafios que se iam colocando à sua atividade. Este conjunto de empresas (na sua larga maioria ainda Associadas da AHSA) foi criando uma dinâmica de atuação junto dos interlocutores-chave para o desenvolvimento dos seus negócios, numa procura incessante de soluções em termos de expansão, formação dos seus quadros e demais trabalhadores, desenvolvendo relações de parceria e participando ativamente em fóruns locais a vários níveis (social, económico, cultural, entre outros). Esta dinâmica foi atraindo outras empresas ao longo dos anos e , atualmente, no conjunto dos seus associados, a AHSA conta com 20 empresas, estimando cerca de 3500 postos de trabalho, um volume de vendas acima dos 200.000.000 euros, com volume de exportações na ordem dos 70%, e uma área de produção de aproximadamente 2000 hectares. Hoje em dia, os Associados da AHSA caracterizam-se pela especialidade em culturas de alto valor acrescentado, pela inovação tecnológica, pelo rigoroso controlo de qualidade, ao longo de todo o circuito – desde a produção até à comercialização, com certificações nas áreas de higiene e segurança alimentar, boas práticas agrícolas, políticas ambientais, segurança no trabalho, bem-estar dos trabalhadores e responsabilidade social para com as comunidades onde estão inseridas. A Associação dos Horticultores, Fruticultores e Floricultores dos Concelhos de Odemira e Aljezur, representa cerca de 14% da área do Perímetro de Rega do Mira e aproximadamente 1% dos seus beneficiários regantes, estimando-se que represente 20% das empresas hortofrutícolas que operam neste aproveitamento hidroagrícola.

AG: Qual a área territorial de atuação da associação?

MC: A AHSA, conforme constante da sua designação social, tem fundamentalmente como áreas de atuação os concelhos de Odemira e Aljezur, onde o seu papel como parceiro social está consagrado nos termos da lei. É também este o território geográfico em que a AHSA tem atuado ao longo da sua história recente e passada, e aqueles onde julga ser mais pertinente continuar a atuar, ainda que muitas das estratégias e posições defendidas tenham, no nosso entender, também valia para outras áreas geográficas do País. Com efeito, consideramos que muito do que somos e procuramos defender seja perfeitamente aplicável a outras geografias onde a horticultura moderna e tecnologicamente evoluída, e com claras preocupações de responsabilidade social e ambiental, seja ou venha a ser uma realidade. Está por isso comprometida com o objetivo de partilha dos seus valores e ideias com todas as forças interventivas do sector à escala nacional e internacional.

«Localização excelente para muitas culturas»

AG: Fale-me um pouco da dimensão da horticultura no Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina e quais as culturas, no âmbito da vossa abrangência, que mais se destacam?

MC: O Alentejo em geral e o Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina em particular tem, por virtude do evento do regadio, vindo a revelar um potencial agrícola impensável até há um par de décadas. O Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina pelas características únicas a nível climático tem vindo a afirmar-se como uma localização excelente para muitas culturas, onde sobressaem as horto-fruti-florícolas. No seu panorama atual de Associados, a AHSA congrega diversas fileiras, sobressaindo os pequenos frutos vermelhos e os legumes, ditos primores e de alto valor acrescentado como as saladas de folha (alfaces, baby leaf), tomate fresco de especialidade, batata-doce, pimentos e outras, mas também temos vindo a assistir com agrado ao aumento de áreas cultivadas de outras culturas de frutas e legumes, muitas das quais até sem grande tradição nesta área geográfica, como é o caso da vinha para vinho e de diversas ornamentais. Temos tido contactos com alguns empresários até das chamadas culturas emergentes também com interesse em aqui se instalarem.

AG: Quais os principais problemas e/ou constrangimentos que se colocam ao setor nesta região?

MC: Antes de tudo há que referir como principal fator limitador ao crescimento e desenvolvimento da atividade agrícola em geral e da hortícola em particular, a dificuldade na disponibilidade de mão de obra, sobretudo para a colheita, a par dos desafios decorrentes dos conflitos de uso territorial que resultam do facto de termos um Perímetro de Rega (Mira) que coincide, na sua quase totalidade, com o Parque Natural (do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina).

morangos

AG: Ao nível de práticas agrícolas, onde está neste momento a região?

MC: As práticas agrícolas no concelho de Odemira são do melhor que se faz no mundo. A evolução da técnica e da tecnologia são uma realidade nesta região cujas empresas, pelo seu caráter exportador de tão relevada importância, acompanham o mercado cada vez mais exigente. Veja-se o exemplo da água, que apesar de abundante nesta região, onde existe um Perímetro de Rega – o Perímetro de Rega do Mira - instalado nos anos 60, e que nos permite produzir com água em quantidade e de elevadíssima qualidade, não nos admitimos a usá-la sem qualquer respeito por este bem tão escasso e fundamental à vida de todos. Utilizamos hoje em dia menos água porque sabemos hoje em dia regar melhor. Paralelamente, os associados da AHSA usam também cada vez menos fitofármacos, quer pela pressão da lei como pela pressão dos mercados e consumidores, mas também porque aprenderam a usá-los de forma mais responsável e sustentável. No Sudoeste Alentejano, caminhamos, a passos largos, para a prática da chamada agricultura de precisão. Hoje em dia, regamos as quantidades que a planta exige, apenas no local onde a água será efectivamente necessária e apenas com os nutrientes que são necessários.

(continua)

Nota: Esta entrevista foi publicada na edição n.º 29 da Revista Agrotec, no âmbito do dossier Horticultura no Sudoeste Alentejano.

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