Alho concentrado para combater doenças das árvores

Um protótipo para administrar uma solução de alho concentrado está a ser testado numa propriedade florestal em Northamptonshire (Reino Unido), sob licença governamental experimental.

O uso generalizado do processo de injeção é impraticável e caro, mas poderia potencialmente ajudar a salvar árvores de valor patrimonial.
O alho é um dos mais poderosos agentes antibacterianos e antifúngicos da natureza. Contém um composto chamado alicina, e os cientistas estão interessados no seu aproveitamento.
O dispositivo de injeção experimental é constituído por uma câmara pressurizada e oito tubos. A pressão “empurra” a solução através dos tubos e de unidades de injeção especiais para os vasos condutores de seiva da árvore.

As agulhas são posicionadas de forma a espalhar alicina uniformemente em torno da árvore. No momento em que o agente ativo começa a entrar em contacto com a doença, destrói-a. O “veneno” é organico e não é rejeitado pela árvore. É puxado para cima e para fora do tronco e ao longo dos ramos e das folhas pelo processo de transpiração da planta.
O consultor de árvores Jonathan Cocking está envolvido no desenvolvimento e implementação do tratamento. «Ao longo dos últimos quatro anos tratámos 60 árvores que sofrem bastante com cancro do castanheiro da Índia. Todas as árvores foram curadas. Este resultado tem sido amplamente apoiado por outras 350 árvores que têm sido tratadas em todo o país, onde tivemos 95% taxa de sucesso», refere. Carvalhos com sintomas de declínio - que, eventualmente, mata a árvore - melhoraram após o tratamento. Em condições de laboratório a alicina mata o fungo que provoca a murchidão do freixo.

A solução é feita por uma empresa no País de Gales. «Dentes de alho biológicos são esmagados», disse Cocking, lembrando que se trata de «um método patenteado e usado para aumentar a concentração de alicina e melhorar a qualidade do mesmo, tornando-o estável até um ano. A alicina no mundo natural só dura cerca de 5-10 minutos. Se voltar à árvore no dia seguinte e esmagar uma folha da extremidade da copa, conseguirá sentir o cheiro do alho».
O objetivo é obter uma licença comercial até o início do próximo ano.

De acordo com o professor Stephen Woodward, especialista em árvores na Universidade de Aberdeen, «as propriedades antibacterianas de alicina são bem conhecidos no laboratório. Eu nunca ouvi falar de serem utilizadas em árvores antes mas sim, isso é interessante, poderá funcionar».
No entanto Woodward alertou sobre estes métodos de controle biológico. «Apesar de ser à base de plantas, não significa que não pode prejudicar um ecossistema. Por exemplo, o cianeto é à base de plantas».

Muitos ambientalistas alertam também contra tal intervenção drástica. Anne Edwards, do John Innes Centre, foi uma das primeiras a identificar a murchidão do freixo num desbaste de madeira em Norfolk. Garante que este tratamento não seria eficaz para a murchidão do freixo. «Num cenário de floresta nós realmente temos que deixar a natureza seguir seu curso. É muito deprimente», explicou.

O Woodland Trust também favorece uma abordagem diferente. A organização está a investir 1.5 milhões de libras (cerca de 2 milhões de euros) num banco de sementes. A ideia é fazer crescer árvores que sejam totalmente rastreáveis, livre de doenças de quarentena.

Austin Brady, diretor de conservação e dos assuntos externos, disse que «a nossa floresta nativa precisa de construir a sua resistência a doenças e pragas. Ao começar no inicio da cadeia, podemos garantir que milhões de árvores terão a melhor hipótese possível de sobrevivência a longo prazo».

Fonte: BBC/Agronegocios.eu