Agricultura: um setor moderno e cada vez mais atraente para os jovens

«Hoje o setor agrícola está cada vez mais desenvolvido, usa tecnologia e necessita cada vez mais de conhecimento técnico». Quem o garante é Luís Mira, administrador do CNEMA e secretário-geral da Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP), adiantando que a Agricultura portuguesa «há muito que mudou», deixando de ter «a imagem antiquada do arado».

Declarações feitas no seminário “O futuro dos jovens agricultores”, organizado pela CAP, que teve lugar a 8 de junho na Feira de Agricultura 2015, em Santarém.

No início do evento, Luís Mira realçou ainda que «os agricultores precisam cada vez mais de comunicar para fora» porque «falamos de um setor moderno e cada vez mais atraente para os mais jovens».

Também João Silva, da Direção Geral de Agricultura da Comissão Europeia, fez uma resenha histórica sobre o quadro 2007-2013 para os jovens agricultores e lembrou o investimento efetuado a nível de fundos comunitários no setor.

O responsável percorreu depois o panorama dos novos Programas de Desenvolvimento Rural (PDR 2020) bem como o financiamento em causa, com particular destaque para Portugal.

Seguiu-se Patrícia Cotrim, Gestora do PDR 2020, que relembrou os 38 mil projetos aprovados no âmbito doPRODER - Programa de Desenvolvimento Rural. E exemplificou com alguns números ao nível do investimento por setores: (frutos, 35%), (pecuária, 14%), (vinha, 10%), (apicultura, 6%), (hortícolas e flores, 13%).

Ao nível geográfico e de investimento de jovens agricultores, a responsável relembrou que o Norte representou 38%, o Centro 36% e o Alentejo 16%.

Nas zonas por setor, referiu, os frutos ocupam as áreas do Norte e Centro do país, a pecuária domina no Alentejo, o olival e azeite no Baixo Alentejo e os frutos no Algarve.

«Em termos de investimento agroindustrial este rondou os 1522 mil euros, o investimento nas explorações agrícolas chegaram aos 147 mil euros, sendo que o emprego gerado alcançou os 10900 postos de trabalho para jovens agricultores», salientou Patrícia Cotrim.

Seguiram-se várias intervenções de responsáveis da banca, entre outros, do Crédito Agrícola, Santander Totta, Montepio e Barclays, que deram a conhecer as soluções financeiras que os agricultores têm ao seu dispor nos balcões daquelas instituições bancárias.

Nuno Passos, coordenador nacional da Bolsa de Terras, que falou da importância do projeto e relembrou que «a Bolsa tem como objetivo facilitar o acesso à terra através da disponibilização de terras, designadamente quando as mesmas não sejam utilizadas, e, bem assim, através de uma melhor identificação e promoção da sua oferta».

«A Bolsa de Terras disponibiliza para arrendamento, venda ou para outros tipos de cedência as terras com aptidão agrícola, florestal e silvopastoril do domínio privado do Estado, das autarquias locais e de quaisquer outras entidades públicas, ou pertencentes a entidades privadas. A bolsa de terras disponibiliza ainda terrenos baldios, nos termos previstos na Lei dos Baldios», lembrou.

O responsável lembrou que «70% da superfície do Continente português corresponde a área agrícola e florestal» sendo que a Superfície Agrícola Não Utilizada (SANU) das explorações corresponde, no total identificado, a 100 mil hectares.

Nuno Passos realçou, por isso, que «é fundamental a adesão à Bolsa Nacional de Terras», tendo em conta que ela corporiza «uma ferramenta de estímulo da atividade agroflorestal, cria postos de trabalho, funciona como combate ao abandono rural e à desertificação dos territórios e é também um instrumento de ordenamento do território».

Também Mónica Teixeira, da Syngenta, abordou a temática da inovação e tecnologia nas explorações dos jovens agricultores, com destaque para a apresentação de um inquérito mundial levado a cabo pela Syngenta em julho de 2013 ao público urbano sobre os desafios futuros da produção de alimentos e da agricultura das próximas décadas.

No encerramento do seminário, o secretário de Estado da Agricultura, José Diogo Albuquerque, começou a sua intervenção com duas questões: «é fundamental respondermos a duas questões: necessitamos de mais jovens agricultores? E que tipo de jovens precisamos?».

Em jeito de resposta, o governante disse que «tem de haver rejuvenescimento, inovação e uma nova forma de encarar o futuro do setor agrícola». Nesta medida, elogiou o caso português, ao nível do PDR 2020, e dos vários apoios disponíveis aos jovens agricultores.

O seminário “O futuro dos jovens agricultores” foi organizado pela CAP.

Fonte: Agronegócios