Agricultores europeus reduzem utilização de agroquímicos

A Comissão de Agricultura do Parlamento Europeu apresentou esta semana os resultados do estudo ‘Fatores de Produção no Setor Agrícola da UE’, um estudo da autoria da Universidade de Wageningen que chega a várias conclusões em relação a sementes e material de plantação, rações, fertilizantes e energia.

De acordo com os resultados, os gastos em sementes têm demonstrado uma tendência decrescente na UE, facto que segundo o estudo está ligado “à ausência de poder de mercado da indústria de sementes.”Ainda assim, a percentagem de sementes no custo total da exploração agrícola varia entre 2% e 15% entre os Estados-Membros da UE. Os mercados mais importantes são as forrageiras e gramíneas (57 milhões ha), cereais (38,6 milhões ha), milho (15 milhões ha) e oleaginosas (11,1 milhões ha). A aquisição de empresas de sementes pelo Top 10 mundial de empresas de sementes, ao longo dos últimos cinco anos, concentra-se maioritariamente na América Latina, enquanto na Europa e Estados Unidos da América o foco tem sido investir em novas tecnologias de melhoramento.

O estudo revela também que a União Europeia a 28 produz aproximadamente 16% da produção mundial de alimentos compostos para animais. As rações animais são normalmente produzidas e consumidas no mesmo país, sendo os oito maiores produtores da UE a Alemanha, França, Espanha, Reino Unido, Itália, Países Baixos, Polónia e Bélgica. “O volume de negócios das empresas de alimentos da UE aumentou 50% nos últimos oito anos, enquanto o número de empresas diminuiu na maioria dos países em mais de 15%. Os resultados da análise mostram que a contribuição das rações no total dos gastos em fatores agrícolas aumentou”, refere a Confagri, que cita o estudo.

No que diz respeito à Energia, o documento sublinha que a importância dos fatores de produção de energia, como eletricidade, gás natural e petróleo varia significativamente de acordo com o tipo de exploração agrícola (por exemplo, culturas aráveis vs leite) e pelas culturas cultivadas (por exemplo, trigo vs beterraba). Assim, os agricultores em 23 dos 27 Estados-Membros da UE gastaram mais de 50% em combustíveis e lubrificantes entre 2004 e 2012, mas na Dinamarca, Finlândia, Bélgica e Holanda a eletricidade e aquecimento representam um valor superior.

Já nos Fertilizantes, as conclusões mostram que o consumo de fertilizantes inorgânicos tem vindo a diminuir na UE -27. “A diminuição do consumo de produtos à base de N é menos acentuada do que para K e P . As diferenças na utilização relativa dos três tipos de fertilizantes (N,K e P) pode ser encontrada em todas as áreas geográficas, com as zonas mediterrânicas a mostrar menor consumo de N e maior consumo de P do que outros países. O custo específico total tem seguido uma tendência positiva ao longo do tempo mas que no entanto desacelerou”, indica o estudo.

O número de empresas produtoras de fertilizantes e corretivos de solos aumentou no período entre 2003 e 2012 e Alemanha, França, Polónia, Reino Unido e os Países Baixos são os países com os maiores valores de fertilizantes vendidos, representando mais de 50% do volume de negócios total de fertilizantes realizado na UE-27.

Nos fitofarmacêuticos, por fim, os resultados indicam que a sua utilização aumentou em valor até 2008, demonstrando, no entanto, uma quebra nos anos seguintes analisados. Herbicidas são os agentes de proteção das culturas consumidos em maiores quantidades, especialmente no Norte da União Europeia. Os fungicidas, por sua vez, são o segundo agente de proteção das culturas mais consumido. Os países mediterrâneos, de resto, utilizam mais inseticidas, mas utilizam uma percentagem mais baixa de herbicidas.

No que diz respeito aos custos dos agentes fitossanitários, o valor tem diminuído ao longo das duas últimas décadas, com os fertilizantes a seguirem uma tendência positiva ao longo do tempo mas que entretanto desacelerou.

O número de empresas produtoras tem-se mantido relativamente estável, variando entre 630 e 655 entre 2003 e 2012. Alemanha, França, Reino Unido, Itália e Espanha concentram mais de 80% das vendas totais.

Fonte: Vida Rural.