Agricultor testa produção de tomate em estufas aquecidas a biomassa

Um produtor de Torres Vedras está a testar, pela primeira vez em Portugal, a produção de tomate em estufas aquecidas através da queima de biomassa para antecipar a produção e conseguir vendê-la a preços mais competitivos.

Com as alterações climáticas, os riscos próprios da agricultura e as oscilações do mercado, Paulo Maria, da empresa HortoMaria, sentiu a necessidade de inovar em Portugal para ter produção a ser comercializada em abril, altura em que Espanha é o único país da Europa a ter produção.
«Se não tivermos estufas aquecidas, não temos produção ainda nessa altura e só teremos em maio ou junho, quando os preços já são mais baixos, porque a maior parte dos países europeus já está a produzir e os preços não suportam os custos de produção», explicou o agricultor.
Ao fim de um ano de experiências, o produtor já concluiu que «é possível antecipar a produção um mês», conseguindo assim preços mais competitivos, sobretudo no mercado da exportação, e evitando a importação de tomate.

O agricultor quis replicar o modelo já usado pelos congéneres espanhóis e avançou em dezembro de 2014 para um campo de experimentação, numa área de meio hectare na sua exploração localizada na freguesia de A-dos-Cunhados, Torres Vedras.
O investimento, de cerca de 80 mil euros, consistiu em instalar uma caldeira, que destrói tudo o que possa ser considerado biomassa, como caroço de azeitona que, entre vários resíduos, é aquele que tem «custos mais baixos».

Ao longo da estufa, instalou tubos de plástico que transportam o ar quente até junto do pé da planta.
O projeto, que está a ser desenvolvido em parceria com o Instituto Superior de Agronomia e com a Universidade de Évora, tem a vantagem de, a qualquer momento e sem quaisquer custos, parar de aquecer a estufa e voltar a recorrer à temperatura natural das explorações cobertas, em função das condições climáticas.
Com este método, consegue criar uma temperatura ambiente entre os 23 e os 25 graus centígrados em qualquer altura do ano, o que favorece o crescimento da produção.
Apesar de continuar a ter dois ciclos de produção por ano, até agora um era entre janeiro e maio e outro entre julho e outubro), com este projeto consegue iniciar mais cedo a produção e antecipar a colheita um mês, vendendo assim o produto numa altura em que não há tanta oferta no mercado.

O agricultor equaciona alargar o método a 10 hectares de estufas, mas nos próximos «dois a três anos» vai continuar em experiências para perceber se os preços conseguem concorrem com os custos de produção, agravados pela aquisição de biomassa. Em Portugal, o aquecimento de estufas através de biomassa está também a ser testada em morangos.
A HortoMaria produz sobretudo tomate, courgette, feijão-verde e alface, e emprega entre 35 a 40 trabalhadores nas épocas de maior produção.

Fonte: Lusa/Agronegocios.eu