A visão do leigo sobre Aquacultura: os benefícios

Por: George Stilwell
Clínica das Espécies Pecuárias e Laboratório Comportamento e Bem-estar Animal | 
Faculdade de Medicina Veterinária, Universidade de Lisboa | Médico-veterinário, PhD, Diplom ECBHM

aquacultura

Começo por dizer que a produção de peixes e a prevenção e tratamento das suas doenças, estão longe de pertencer à minha área de expertise ou sequer de trabalho.

No entanto uma série de preocupações relacionadas com a utilização dos recursos dos oceanos e mares, levam-me a partilhar com os leitores algumas considerações sobre o tema. No momento em que se sabe que os stocks da maioria das espé­cies marinhas não aguentam muito mais a pressão actual, é natural que se olhe para as explorações de produção de peixes, molúsculos e bivalves com redobrada atenção. Mas será de embarcar sem precau­ções nessa viagem? Quais poderão ser os riscos?

Pode parecer estranho estar-se a falar da produção de peixe numa revista destinada à agricultura, mas rapida­mente se perceberá que a ideia não é assim tão disparatada. Afinal, trata-se de produção animal. Aliás, se garantirmos que o aproveitamento é sustentável, é cada vez mais certo que este sector irá subir na lista das fontes de proteína animal, por motivos económicos, ambientais e de saúde humana. Há entraves, dificuldades, controvérsias, riscos… sim, claro, mas por isso mesmo temos de começar a pen­sar bem e seriamente no assunto.

Recentemente visitei uma exploração inten­siva de salmões (Salmo salar) na Noruega. Mais do que isso, estive presente numa série de reu­niões com investigadores, supervisores e pro­dutores na área da aquacultura num país onde o pescado (essencialmente o salmão) está no cimo da lista das exportações logo a seguir ao petróleo (ou mesmo acima, dependendo dos preços do crude no mercado).

Neste país a orga­nização e a preocupação com cada pormenor ao logo de todo o ciclo de produção, é impressio­nante, pois rapidamente perceberam que ape­nas observando e cumprindo regras apertadas, que salvaguardem o ambiente, o bem-estar ani­mal, a qualidade do produto e, claro, o retorno financeiro, poderão ter esperança de sobreviver e de conseguir a aprovação dos consumidores.

Neste momento estarão cada vez mais perto deste desidrato, levando a que um país com 5 milhões de habitantes seja responsável pela produção de mais de 1,15 milhões de toneladas de peixe e por fornecer cerca de 50% do salmão consumido no mundo inteiro.

Se bem que não existam registo escritos, pensa-se que a aquacultura já existia há cerca de 2.000 anos a.C. pelos chineses.

De uma forma mais ou menos extensa (às vezes limitava-se a carpas ou trutas em piscinas nos palácios de forma ter peixe fresco todos os dias), vão sur­gindo ao longo dos séculos e de todo o mundo vestígios desta prática.

Na Europa os romanos produziam e comercializavam peixes criados em cativeiro. No entanto foi apenas nos anos 70 do século 20 que a produção intensiva começou a ganhar importância, muito porque os mares já não estavam a conseguir satisfazer as necessida­des de uma população crescente mas também porque muitos pescadores tiveram de encon­trar alternativa à sua actividade, diminuída pela escassez dos recursos marinhos.

(Continua)

Nota: Artigo publicado na edição AGROTEC 23.

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