A alfabetização agrodigital

O futuro da Agricultura de Precisão em Portugal

agricultura

Por: José Rafael Marques da Silva | Professor da Universidade de Évora, Investigador no ICAAM, Diretor de curso do mestrado “Tecnologias em Agricultura de Precisão” - "UÉVORA+UN-FCT", CSO da Agroinsider, Lda

Nos tempos que correm o termo "Agricultura de Precisão - AP" invadiu o léxico AGRO, todavia vou-me dando conta que tal termo tem múltiplos significados dependendo de quem o diga.

Para que não existam confusões digo-vos à entrada deste artigo que a minha definição sobre AP é a seguinte: "Agricultura de precisão é tratar diferente aquilo que é diferente, utilizando para tal tecnologia aferida e calibrada por forma a aumentar a eficiência dos processos AGRO-económicos-ambientais e sociais".

Normalmente associamos a prática da AP a muita tecnologia, contudo, devo dizer-vos, que basta alguns conhecimentos de fitossociologia para nos fazermos ao caminho.

Qualquer agricultor digno desse nome, quando vê diferentes tipos de infestantes em diferentes zonas da parcela sabe de imediato que por exemplo o pH do solo, ou o teor de argila, ou o nível da toalha freática são diferentes nesses sítios e com esse conhecimento pode começar a tratar diferente aquilo que é diferente, exercendo dessa maneira o princípio filosófico da AP.

Então para quê falarem tanto de tecnologia se podemos fazer AP com os nossos lindos olhos? É tudo uma questão de rapidez na amostragem, no processamento e modelação em tempo quase real de grandes volumes de informação, na aplicação quantificável de recursos e na avaliação de todas as iterações comparáveis do ponto de vista agronómico. Resumindo, sem tecnologia a minha resolução (espaço, tempo e outros) é mais grosseira e com tecnologia aferida e calibrada tal resolução (espaço, tempo e outros) pode ser imensamente maior, ampliando a minha capacidade e maturidade na decisão.

Então quem é que define a resolução ótima de atuação ao nível de cada parcela? Seguramente que a ECONOMIA e o AMBIENTE!

Tudo isto é muito bonito e risonho se tivermos gente formada capaz de articular os conhecimentos (competências) fundamentais para exercer a AP, que são: i) a Agronomia; ii) a Tecnologia; iii) a Economia/ Gestão; e iv) o Ambiente.

(Continua)

Nota: Artigo publicado na edição impressa da Agrotec 27.

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