Ensaio de variedades de milho-grão no Baixo Mondego

Por: Carlos Alarcão, António Jordão, Gil Branco, Francisco Dias, Anne Karine Boulet e Óscar Crispim

milho

Introdução e objetivos

A procura de acréscimos de eficiência e qualidade na prestação de serviços de aconselhamento técnico aos empresários agrícolas e outros agentes económicos que operam no setor agrário, com destaque para as Associações e Cooperativas Agrícolas, leva a Direção Regional de Agricultura e Pescas do Centro (DRAPC) a implementar soluções de cooperação organizacional no desenvolvimento de projetos de experimentação agrária e do apoio à inovação agrícola regional.

Nesta perspetiva, decorreu entre maio e novembro de 2017 numa propriedade do Estado, localizada em Taveiro, a cerca de 6 Km de Coimbra e integrada no Centro Experimental do Baixo Mondego da DRAPC, um ensaio de campo que envolveu a Escola Superior Agrária de Coimbra (ESAC) e as Cooperativas Agrícolas de Coimbra (CAC) e de Montemor-o-Velho (CAMV), com o objetivo de avaliar o comportamento agronómico e produtivo de um conjunto de variedades de milho-grão nas condições do vale do Baixo Mondego.

Material e Métodos

As variedades em ensaio, num total de quinze, foram indicadas e fornecidas por cinco das principais empresas que operam no mercado das sementes em Portugal, a saber: Dekalb, Koipsol, Lusosem, Pioneer e Syngenta, à razão de três variedades por empresa, escolhidos com base no seu potencial interesse para cultivo na região do Baixo Mondego.

A metodologia de instalação do ensaio, bem como os registos de campo, amostragens, apuramento e análise estatística dos dados basearam-se nos critérios seguidos pelos serviços oficiais executores da Rede Nacional de Ensaios (RNE) de variedades de milho-grão.

O campo experimental de variedades de milho-grão ocupou uma área total de 4 hectares e foi constituído por 45 grandes talhões, correspondentes às 15 variedades e 3 repetições, instalados em blocos casualizados. Cada talhão varietal incluiu 8 linhas de sementeira, afastadas de 0,75 m entre si, numa área de 6 metros x 150 metros, ou seja, com 900 m2/talhão, o que perfaz 2700 m2/variedade.

Instalação e condução de ensaio

O precedente cultural no terreno foi a cultura de milho-grão feita no ano anterior (Figura 1). Optou-se por não instalar qualquer cultura intercalar de outono-inverno, a fim de possibilitar a correção de alguma heterogeneidade física do solo, através de nivelamento, operação que foi executada aquando da preparação do terrreno para a sementeira.

Tipo de solo e sua preparação

O solo onde se instalou o ensaio de variedades de milho-grão é um aluviosolo com textura pesada e ligeiramente ácido, registando um valor de pH (H2O) de 6,0 e um teor médio de matéria orgânica relativamente baixo (1,67 %).

A preparação do solo foi feita de acordo com o sistema convencional: gradagem do terreno, seguida de lavoura, operações executadas a 23 de maio, a que se seguiu o nivelamento do terreno, com criação de um ligeiro pendente (2 ‰). A 25 de maio efetuou-se uma passagem de chisel e de grade rotativa, de forma a garantir preparação do solo adequada a uma emergência rápida e regular.

Fertilização

A fertilização praticada no ensaio teve por base os resultados de 30 subamostras de terra, recolhidas imeditamente antes da sementeira, na camada até 30 cm de profundidade.

A análise foi efetuada no laboratório de solos da ESAC, indicando um teor médio a baixo em fósforo (53 mg P2O5/kg) e alto em potássio (103 mg K2O /kg).

Através da aplicação de um adubo composto 12:24:12, incorporaram-se em fundo 60 unidades de Azoto, 120 unidades de Fósforo e 60 unidades de Potássio. O fornecimento adicional de 200 unidades de azoto/ha processou-se numa só cobertura, realizada a 27 de junho, aquando da sacha e amontoa, recorrendo-se a um adubo com 40 % de Azoto na sua formulação, sendo 35% na forma de ureia e os restantes 5% na forma de sulfato de amónio.

Sementeira

A sementeira mecânica foi efectuada no dia 26 de maio, com recurso a um semeador de 4 linhas (Figura 2) e um compasso de 15,5 cm na linha. Ainda que algo tardia em relação à prática mais corrente e aconselhável na região, a data de sementeira foi compatível com o normal desenvolvimento do ciclo produtivo das variedades a ensaiar.

(Continua)

Nota: Artigo publicado na edição impressa do Suplemento Grandes Culturas 10.

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