Contaminação da água por inseticidas agrícolas é subestimada, segundo estudo alemão

A poluição dos cursos de água, rios e estuários do mundo por inseticidas agrícolas é subestimada e tem um impacto devastador sobre os ecossistemas aquáticos.

A conclusão é de um estudo conduzido por Sebastian Stehle e Ralf Schulz, do Instituto de Ciências Ambientais da Universidade de Koblenz-Landau, na Alemanha, e publicado na American Academy of Sciences (PNAS).

Os autores analisaram 838 estudos publicados entre 1962 e 2012, analisando 2500 locais aquáticos em 73 países para determinar se as concentrações dos 28 pesticidas mais utilizados excedeu os limites autorizados.

Em 97,4% das amostras, as análises indicam a ausência de quantidades mensuráveis de inseticida «mas também a falta de acompanhamento científico dessas substâncias em cerca de 90% das áreas cultivadas do mundo», escrevem os cientistas.

«Nos locais que continham inseticidas, 52,4% das deteções excedia os limites legais», mostram os estudos. Os elevados níveis foram registados inclusive em países onde os inseticidas são fortemente regulamentados.

O aumento da poluição por inseticidas provoca uma redução da biodiversidade aquática, alertam os cientistas. De acordo com eles, os níveis de concentração autorizados actualmente implicariam já numa redução de 30% dos macro-invertebrados bentónicos, pequenos animais que vivem no fundo dos rios. Portanto, a integridade biológica dos recursos mundiais de água doce está ameaçada, consideram os investigadores. A extensão do impacto dos pesticidas agrícolas em áreas aquáticas pode ser subestimada devido à falta de análises quantitativas generalizadas.

A intensificação da agricultura representa um aumento de mais de 750% da produção de pesticidas entre 1955 e 2000, uma indústria que representa um mercado de 50 mil milhões de dólares em todo o mundo.

Fonte: Reuters (via Agronegócios.eu)