Caso de estudo em vinha para vinho sob rega deficitária controlada no Baixo Alentejo

vinha

Por Pedro Oliveira e Silva, Sofia Ramôa, Rui Canário, Anabela Amaral, Cristina Guerreiro, Luís Boteta, Isabel Guerreiro, Ana Fernandes

Resumo

Neste trabalho apresentam-se os resultados da avaliação de três estratégias de rega deficitária controlada em vinha da casta Aragonez, no Baixo Alentejo.

O estudo decorreu em solos argilosos pouco profundos, regados gota a gota e o efeito das estratégias de rega sobre o desenvolvimento da cultura da vinha foi monitorizado semanalmente. No final, quantificou-se a produção, as suas componentes e a composição do fruto.

Foi também quantificado semanalmente o teor de água do solo. A eficiência do uso da água pela videira variou com a estratégia de rega, tendo a resposta da cultura sido influenciada pela intensidade do stress hídrico induzido ao longo do ciclo, que tem que ser gerida com ponderação, por forma a permitir um aumento sustentado da produtividade da água.

Introdução

A água é um recurso natural indispensável à atividade económica em particular em condições de clima mediterrânico.

A vinha, com o seu sistema radicular profundante e mecanismos fisiológicos que controlam a transpiração, está muito bem adaptada a estas condições climáticas apesar de, situações de elevada demanda evaporativa da atmosfera e défice de água nos solos, possam comprometer a produção e a qualidade da uva.

A rega tem, por isso, um papel determinante e a gestão da rega terá de ser cada vez mais orientada para o uso eficiente, racional e sustentado da água.

Em regiões como o Alentejo, em condições de carência hídrica no período estival, a gestão da rega terá que ser cada vez mais orientada para a maximização da produtividade da água, sendo a rega deficitária controlada (RDC), uma estratégia possível.

Segundo estes autores o sucesso da rega deficitária na vinha deve-se a fatores como o efeito da qualidade da produção no resultado económico, a menor sensibilidade da cultura ao défice hídrico nalgumas fases do ciclo, a utilização de equipamentos de rega que facilitam a gestão do stress e as características do coberto, em que a redução da condutância estomática permite uma maior economia de água.

Assim, a estratégia de rega pode ser estabelecida tendo como orientação a intensidade de stress hídrico a induzir em cada fase do ciclo da videira, de acordo com as características pretendidas para o produto final.

O objetivo é otimizar, através do equilíbrio entre o vigor da vinha e a sua produção potencial, o número de frutos, o seu tamanho e a sua qualidade. Este estudo decorreu no âmbito do Projeto Rede de investigação Transfronteiriça de Extremadura, Centro e Alentejo (RITECA - fase II), cofinanciado pelo Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional (FEDER), através do programa operacional de cooperação transfronteiriça Espanha - Portugal (POCTEP) 2007 – 2013.

Assim, apresentam-se os resultados relativos à produção e características da uva, obtidos em 2013 num ensaio realizado no Baixo Alentejo, em condições de clima Mediterrânico, em que se utilizaram três estratégias de rega deficitária controlada (RDC) na cultura da vinha (Vitis vinífera L.), casta Aragonez, em que os níveis de stress hídrico foram estabelecidos tendo como orientação valores indicativos do potencial hídrico do caule.

(Continua)

Nota: Artigo publicado na edição n.º 27 da Revista AGROTEC, no âmbito do dossier Rega.

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