AGROGLOBAL: A reunião do Agronegócio

panoramicatendasApesar da sua juventude, a AgroGlobal é uma feira que já não passa despercebida aos profissionais do setor agrícola. Em quatro edições, a feira dobrou o número de expositores, destacando-se cada vez mais como a “feira profissional agrícola” em Portugal. A AGROTEC, na edição da revista número 13, esteve à conversa com Francisco Torres, membro da Organização, que nos falou sobre o passado, presente e futuro da AgroGlobal. Na edição de 2016, a AgroGlobal quer distinguir-se ainda mais como uma feira verdadeiramente profissional, inovadora e dinâmica.

panoramicadoscampos

AGROTEC: Qual é a grande missão da AGROGLOBAL?

Francisco Torres: Desde logo, a primeira é a de permitir a todas as pessoas e empresas a interação profissional num evento para aceder a uma potencial vasta rede de contactos do setor agrícola e adquirir os melhores conhecimentos para a sua atividade.

Foi com esse objetivo em vista que organizámos uma feira dinâmica e 100% profissional, destinada a toda a fileira agrícola. Para alcançar esse objetivo foi crucial reunirmos uma forte representação de cada atividade interveniente no agronegócio em Portugal, aplicável em diversas culturas agrícolas.

Por outro lado, a AGROGLOBAL pretende também alterar a perceção popular do “rudimentarismo” da atividade agrícola e elucidar a comunidade quanto à importância que o setor agrícola tem para o desenvolvimento económico, social e ambiental do país. Com a participação de importantes figuras da politica e economia do país, organizámos debates sobre importantes temas e problemas da atualidade, contextualizando o papel da agricultura na economia. Nesta última edição, destacámos também a alta tecnologia e dos meio de produção com que os agricultores operam atualmente no espaço AgroTech.

Pensamos que estes objetivos têm sido atingidos. A feira faz hoje parte da agenda bianual dos agricultores, e a sociedade tem hoje uma outra perceção da atividade agrícola e do seu papel na economia nacional.

re-tokFrancisco Torres.

AG: Olhando para o panorama das feiras do setor agrícola, o conceito da AGROGLOBAL é único no país, com uma componente prática muito forte e um ambiente quase exclusivamente profissional, ao jeito de alguns países de grande produção agrícola, como os EUA. A ideia partiu da “importação” deste conceito?

FT: A ideia partiu da necessidade de existir um evento com esta natureza, identificada pelo Joaquim Pedro Torres e pelo Manuel Paim. Ambos detêm uma empresa de produção agrícola como tantas outras, e sentiram que o setor agrícola não era bem representado em nenhuma feira nacional. Sentiram que seria importante a organização de um evento que representasse a agricultura nacional de forma dinâmica e numa ótica estritamente profissional. Um evento com a presença de representantes das diversas áreas que negócio intervenientes no setor agrícola, onde se possam debater temas importantes para o futuro do setor e estabelecer contactos para melhorar a atividade de cada empresa.

A componente prática e dinâmica que referiu, inédita em Portugal, é obrigatória para o conceito, que se baseia na demonstração de produtos ao vivo. A atividade agrícola é o resultado de um sem fim de processos assentes em alta tecnologia e conhecimento científico.

AG: No início, receou que o conceito não fosse bem aceite por cá? Imaginou que seria possível fazer da AGROGLOBAL o que ela é hoje?

FT: Durante a organização da primeira edição no ano 2009 (então chamada “feira do milho”) a organização não tinha em mente a preocupação da continuidade do projeto.

Se fosse bem aceite pelos intervenientes do mercado, o projeto poderia ter continuidade, se não fosse, não teria. Mas o mercado reagiu com grande entusiasmo por parte das principais empresas do setor agrícola, seguido pela adesão de milhares de visitantes.

Consideramos que a AGROGLOBAL é hoje um conceito com sucesso não pelos resultados que a organização obteve, mas sim porque o feedback e balanço comercial das empresas expositoras foram muito positivos após cada edição. Aliás, após a sua primeira edição em 2009 todas as edições posteriores foram realizadas por resposta ao mercado, não por imposição da organização. À medida que as principais empresas intervenientes no setor agrícola nacional se iam manifestando a favor da continuação da AGROGLOBAL, percebemos que este é um conceito com sustentabilidade, que veio para ficar.

Agricultura de Precisão (3)Tenda com Seminários Especializados

AG: Na próxima edição conta que o número de expositores e visitantes aumente?

FT: Consideramos que o principal objetivo que nasceu com este projeto na primeira edição em 2009 está atingido: reunir uma forte representação de cada área de negócio que compõe o setor e atividade agrícola nacional, numa feira estritamente profissional.

A adesão dos milhares de visitantes e o nível de compromisso de centenas de empresas do setor agrícola é o melhor atestado de sucesso que o conceito AGROGLOBAL pode ter. No entanto, a dinâmica induzida pelo crescente sucesso de cada edição criou também novos objetivos para o projeto. Objetivos esses que passam, nomeadamente, pela procura de uma representação ainda mais forte de cada área que compõe o agronegócio como também a angariação de representantes de área de negócio periféricas e obrigatórias na atividade agrícola, como entidades financeiras, empresas de energia e empresas de valorização industrial.

Por outro lado, verificamos que o projeto AGROGLOBAL tem vindo a suscitar um crescente interesse em empresas estrangeiras que operam no setor agrícola a nível internacional.

Empresas do setor agrícola com interesse em investir no mercado português consideram a AGROGLOBAL como o veículo certo para ingressar no mercado, pelo que consideramos que a expansão do número de expositores na próxima edição da AGROGLOBAL poderá também passar pela angariação de empresas estrangeiras. Enquanto que até à edição de 2012 os expositores foram somente empresas portuguesas, a edição de 2014 contou também com a participação de empresas de Espanha e Angola.

O número de visitantes tem vindo a aumentar em cada edição da AGROGLOBAL e certamente continuará a acompanhar a sua expansão.

AG: Estão a pensar em novidades para a próxima AGROGLOBAL?

FT: Claro. Queremos que a AGROGLOBAL se continue a distinguir pela sua dinâmica e inovação. Todos os profissionais do setor agrícola sabem que a dinâmica do mercado provoca uma mutação constante no status quo da atividade, á qual não podemos ficar indiferentes. Inovações tecnológicas, oscilações na procura e oferta, emergência de temas e problemas importantes para o decorrer da atividade, etc.: um sem fim de questões que condicionam a evolução e tendências de todo o setor agrícola. Não podemos ficar estáticos perante essa dinâmica do mercado, nem mesmo após o sucesso desta quarta edição. Temos que continuar a trabalhar na constante procura de melhorias na feira, para manter a qualidade da organização das edições anteriores e procurar superar as expectativas dos expositores e visitantes em 2016.

filmagensReportagem Técnico-Comercial da CASE IH à revista AGROTEC

AG: Porquê de 2 em 2 anos?

FT: Como referi, a organização de todas as edições (à exceção da primeira) foi realizada em resposta à vontade geral das empresas intervenientes, em particular dos patrocinadores.

Deste modo, quem acabou por definir a periodicidade da realização da AGROGLOBAL foram as empresas, e não a organização.

As empresas investem muito tempo e recursos na sua participação, pelo que em muitos casos talvez não se justifique que esse investimento seja de recorrência anual. Sendo a feira de 2 em 2 anos o mercado não é saturado e ao mesmo tempo é um periodicidade que permite à AGROGLOBAL acompanhar a atualidade das tendências e evoluções dos mercados e emergência dos temas mais importantes a debater.

AG: Dado o carácter extremamente profissional da feira e as suas características (realização em dias da semana, demonstrações de campo, um riquíssimo conjunto de seminários especializados para o setor) e com a crescente visibilidade da mesma, não teme que a AGROGLOBAL seja vítima de uma “politização” que entre em conflito com a vertente profissional, podendo vir a prejudicar a feira em futuras edições?

FT: Essa vertente profissional é, e será sempre, a base de toda a organização do evento.

A nossa responsabilidade como entidade organizadora passa por assegurar a integridade desse profissionalismo. É claro que uma feira com esta dimensão gera uma dinâmica que dá à AGROGLOBAL uma identidade própria e única, não totalmente controlável pela entidade organizadora.

Um grande evento com base num setor tão importante pelo país como é a agricultura será sempre suscetível a tentativas de “politização”. Mas estamos convencidos que a vertente profissional da AGROGLOBAL, gerado não pelo empenho da organização mas sim pelo investimento de compromisso das cerca de 250 empresas, irá sempre prevalecer sobre quaisquer outros interesses públicos ou privados.

Os nossos “clientes” não são um punhado de organizações que podem moldar a feira à sua vontade e medida, mas sim o amplo conjunto de empresas e entidades institucionais que compõem o setor agrícola em Portugal.

grafico-agroglobal