Açores: I Festival do Alho da Graciosa quer projetar a cultura na produção e comercialização

Começou esta sexta-feira, 1 de fevereiro, na Ilha Graciosa, nos Açores, o I Festival do Alho da Graciosa.

alho

Texto: Ana Clara | Fotos: Daniela Faria

A iniciativa, que se realiza pela primeira vez, tem como principal objetivo criar várias dinâmicas capazes de envolver diretamente as empresas e população da ilha Graciosa.

A organização do Festival está a cargo da Câmara do Comércio de Angra do Heroísmo - Associação Empresarial das Ilhas Terceira, São Jorge e Graciosa - juntamente com o Núcleo Empresarial da Ilha da Graciosa. Ao evento associa-se como entidade parceira a vice-presidência do Governo Regional, através da SDEA, no âmbito das ações de Capacitação das Empresas Regionais.

O Festival que termina este sábado, 2 de fevereiro, conta com conferências, showcooking, workshops, atividades escolares, menus especiais na restauração, visitas guiadas e venda de produtos regionais.

Na sessão de abertura do evento, que se realizou na Adega Cooperativa Agrícola da Ilha Graciosa, todos os convidados oradores realçaram a importância deste Festival no incentivo à produção de alho na ilha Graciosa. A longo prazo, frisaram, é essencial a promoção da utilização e venda, a nível local, regional e nacional, bem como estimular a utilização e consumo de produtos regionais.

João Picanço, da Adega e Cooperativa Agrícola da Ilha Graciosa, explicou na sua intervenção, vários aspetos relacionados com o funcionamento da adega e produção de vinho. Ao todo,a Cooperativa conta com dez produtores de vinho.

Recorde-se que o espaço foi alvo recentemente de obras de ampliação e remodelação, tendo sido reinaugurada a 11 de julho de 2018. Um investimento de 1,2 milhões de euros que contempla atualmente circuitos para a produção vinícola e hortofrutícola, onde sobressai a produção de meloa, alhos e mel.

Já o Diretor Regional da Agricultura, José Élio Ventura, destacou a «importância da iniciativa para o futuro da cultura do alho na ilha da Graciosa» e os contributos da Câmara Municipal de Santa Cruz da Graciosa, da Adega Cooperativa, restaurantes da região e da Câmara de Comércio de Angra do Heroísmo.

«Novos negócios e reputação»

«Este Festival visa despertar novos negócios, um novo comércio para a cultura do alho e relançar a cultura para os empresários. Os agricultores têm vivido alguns fenómenos, sobretudo ao que está a acontecer com o vinho, em que o vinho dos Açores tem sido desvalorizado, a par do mel, da agricultura em modo de produção biológico e na cultura da abrótea», vincou.

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O responsável lembrou que a Graciosa «sempre foi conhecida pela terra do alho, pelas condições do clima e cultivo» sublinhando que «o alho é um produto com história, com notoriedade e reputação e, por tudo isto, importa projetá-lo».

José Élio Ventura afirmou também que apesar do número de produtores não ter aumentado substancialmente nos últimos dez anos, neste momento a sua produção situa-se nas 25 toneladas. Praticamente mais do que duplicou».

Assim, o Diretor Regional da Agricultura não tem dúvidas: «é essencial projetar o alho, dentro e fora da região, sendo que é importante olhar para o turismo, setor que tem criado uma nova dinâmica na região, sobretudo ao nível gastronómico, e onde o alho da Graciosa pode e deve ser elevado ao seu máximo nível».

O Presidente da Câmara de Santa Cruz da Graciosa, Manuel Avelar, vincou na sua intervenção, que este Festival «é iniciativa muito oportuna e que apresenta potencialidades relativamente à forma como está pensada para o incentivo da produção e comercialização do alho da nossa ilha, com o intuito de o promover e que possa também contribuir para o desenvolvimento económico local, levando mais longe o nome da ilha Graciosa».

Com as novas tecnologias da produção e comercialização do alho, o edil fez também uma resenha histórica da produção e comercialização do alho na ilha na segunda metade do século XX, em que «este produto teve um impacto económico em algumas famílias na ilha Graciosa» (ler mais sobre este assunto na edição impressa da revista AGROTEC 30).

«Esperamos que este evento desperte novos caminhos para a comercialização do alho», salientou.

Marisa Toste, administradora da Administração da SDEA – Sociedade para o Desenvolvimento Empresarial dos Açores, afirmou que «o Festival do Alho foi uma ideia que surgiu da Câmara de Comércio, do núcleo empresarial da Graciosa, e faz parte do plano de várias missões empresariais, da responsabilidade do Governo dos Açores, em parceria, com a Câmara de Comércio Indústria dos Açores e a SDEA.

«O alho da Graciosa é um dos muitos produtos que tem a certificação Marca Açores, a par de mais 122 produtos na ilha da Graciosa, e que correspondem a sete empresas na ilha».

Marisa Toste acrescentou ainda que «acreditamos muito na promoção e valorização do alho, resta agora fazer um trabalho de avaliação de produção e de acesso de mercados. Estamos convictos que o caminho está aberto e a vontade existe».

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Rodrigo Rodrigues, em representação da CCIA, salientou que estes eventos «são muito importantes no lançamento de alguns projetos e algumas ideias».

Realçou a importância do escoamento e valorização do produto e espera que o alho da Graciosa seja reconhecido pelo mercado e pelo seu valor.

No final do primeiro dia do evento decorreu ainda uma visita às instalações da Adega Cooperativa da Graciosa, culminando com um showcooking com o alho da Graciosa com António Cavaco, Confrade-Mor da Confraria dos Gastrónomos dos Açores.

A Graciosa, com cerca de 60 quilómetros quadrados, é a segunda ilha mais pequena dos Açores, depois do Corvo, e a mais a norte das cinco que compõem o grupo central do arquipélago, onde se incluem Terceira, São Jorge, Pico e Faial.

Leia a reportagem completa do I Festival do Alho na edição n.º 30 da Revista AGROTEC, que será em breve publicada.