Tratores: Que Pneu escolher?

ATT00338A escolha do pneu agrícola não está isenta de um certo nível de conhecimentos técnicos, que permitam combinar o tipo de solo onde se vai trabalhar, o trator a usar e as tarefas que se vão realizar. Resumidamente, o pneu é o ponto de união entre o trator e o terreno, ou seja, é através do pneu que se transmite toda a força desenvolvida pelo trator no terreno: uma má escolha deste pode provocar uma importante perda de potência, daí a importância da sua escolha.

O objetivo principal é conseguir uma máxima aderência com uma mínima compactação do solo, o qual terá um impacto na minimização das perdas por derrapagem, redução do consumo de combustível e, por conseguinte, aumentar a eficência.

Para uma informação mais técnica e aprofundada acerca da opção dos pneus apropriados, poderá consultar o artigo do Professor Catedrático Luis Márquez na AGROTEC nº 11 (“Aumentar a Eficiência dos Tratores através da Escolha de Pneus Apropriados”).

Tipos de Pneus

Existem dois tipos de pneus usados para os tratores, o pneu diagonal e o pneu radial.

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Diagonial:

 Os cabos de reforço atravessam diagonalmente o pneu, de talão a talão, num ângulo de 30 a 40 graus até à linha central do pneu. Cada tela ou camada de cabos estruturais está colocada na direcção oposta à anterior formando um padrão cruzado.

CONSTRUÇÃO
– Simples
– Fácil de reparar

ÁREA DE CONTACTO
– Forma redonda
– Distribuição irregular da pressão
– Elevada compactação de solo

PERFORMANCE
– Flexível
– Maleável

Radial:

As telas de cabo para reforçar o pneu prolongam-se de talão a talão num ângulo de 90 graus até à linha central do pneu. Directamente por cima das telas radiais e por baixo do piso existe uma cinta em toda a circunferência que é feita de cabos ou aço. Esta cinta acompanha toda a circunferência da carcaça. Os cabos são colocados na cinta num ângulo estreito de 15 e 25 graus.

CONSTRUÇÃO
– Sofisticada

ÁREA DE CONTACTO
– Forma quadrada
– Distribuição uniforme da pressão
– Menos penetração de solo

PERFORMANCE
– Tração superior
– Boa estabilidade
– Resistente a furos
– Baixa resistência ao rolamento
– Quilometragem elevada
– Bom conforto
– Durável
– Desgaste regular

Este tipo de pneus faz também com que a banda de rodagem fique totalmente rígida, mas com uma grande flexibilidade nos flancos. A resistência ao movimento é menor neste tipo de pneus, assim como a compactação induzida no terreno.

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Que pneu escolher?

O primeiro passo a efetuar é um relatório completo das tarefas a realizar. Se o transporte por estrada é uma atividade relevante, será de maior utilidade o uso de uma capa disposta com os nervos segundo um ângulo mais agudo, já que melhora a comodidade da condução e aumenta a duração do pneu. Se o solo for muito duro, será melhor optar por capas dotadas de grande resistência mecânica. Inclusivamente os diferentes tipos de trabalho condicionam a largura máxima admissível. Por último, poderão registar-se as condições de pressão sobre o solo e pressão de ar.

A distribuição da carga é outro fator a considerar. A uma velocidade entre 5 e 6 Km / h, ao arar o terreno, para usar toda a potência do motor os pneus das rodas motrizes devem suportar uma carga de 80 kg / kW, aproximadamente. Isso dá-nos uma ideia da carga total a ser colocada em função da potência. Esta carga deve ser distribuída entre os pneus, tendo em conta, no caso de quatro rodas motrizes, a distribuição da carga pelos eixos de forma uniforme.

Pressão de Ar

Todos os pneus são concebidos para serem utilizados numa variedade de pressão bem definida, que deve ser respeitada. O conhecimento da carga máxima por pneu permite selecionar o valor ideal em função das suas características e da pressão aceitável por parte do solo. Em geral, podem-se definir dois níveis de pressão: baixo para o trabalho de campo, e alto para o transporte em estrada.

Normas Gerais de Uso

Ao longo da vida do pneu, deve-se ter em conta uma série de recomendações para melhorar e estimar a sua conservação:

– Ajustar a pressão dos pneus para a carga e tipo de trabalho. A pressão excessiva provoca o desgaste da banda de rodagem e da parte central, a pressão insuficiente provoca desgaste no lado de fora da banda de rodagem. Escusado será dizer que a pressão deve ser verificada regularmente e com os pneus frios.

– No conjunto duplo das rodas, aplicar pneus do mesmo modelo, com o mesmo perímetro e o mesmo nível de desgaste. Assim, evitar-se-á a diferença de tração e evitar que um trabalhe e se desgaste mais que o outro.

– Periodicamente, examinar o exterior do pneu para detetar qualquer anormalidade.

– Evite sobrecarregar, tanto em termos globais como localizadas.

– Evitar o contacto do pneu com produtos e dissolventes derivados de petróleo.

– No caso de tratores rodas de tração dupla, quando esta não é necessário para o trabalho, desligá-la, para evitar problemas de derrapagem e desgaste das rodas dianteiras, especialmente nas travessias sobre asfalto.