Terras cultiváveis cobrem 12.6% da superficie terrestre, segundo a FAO

terraUma nova base de dados da FAO, apresentada ontem, reúne toda a informação sobre a cobertura vegetal do planeta, que antes estava dispersa, numa única base de dados centralizada, obtendo-se assim uma grande melhoria da informação sobre as características físicas da superfície da Terra.

Até ao momento, um dos maiores desafios para se obter uma eficente perspetiva do terreno coberto (ex: quanta superfície está ocupada por terras de cultivo, árvores ou florestas, solos vazios, etc.) prende-se com o facto de os diferentes países e organizações usam para identificar, medir e registar esta informação de diferentes formas.

Neste sentido, a FAO disponibiliza agora a base de dados Global Land Cover SHARE (GLC-SHARE), com informação retirada de variadas fontes e parceiros, sendo posteriormente objeto de controlo da qualidade da mesma, e harmonizada usando standards e definições internacionalmente aceites, gerando assim uma qualidade de informação a nível nacional que se traduz consequentemente numa base de dados consolidada que abrange todo o planeta.

As aplicações do GCL-SHARE incluem a monitorização das tendências mundiais na cobertura dos solos, avaliando a adequação da terra para vários propósitos, acedendo ao impacto das alterações climáticas na produção de bens alimentares e do planeamento terriorial.

A gestão da sustentabilidade dos solos é crucial

“Um forte entendimento da cobertura dos nossos solos é essencial para a promoção da gestão sustentável dos recursos – incluindo a produção agrícola para responder às necessidades de uma população crescente – isso faz com que o uso eficiente dos cada vez mais escassos recursos naturais ajude a proteger o ambiente”, afirmou John Latham, da FAO.

“Esta evolução na compreensão da cobertura dos solos do nosso planeta aparece numa altura crucial”, adiantou. “Será uma ferramenta valiosa na aplicação da sustentabilidade na agricultura, para apoiar um desenvolvimento rural numa base sustentável e para definir políticas de uso dos solos que contribuam para a redução da pobreza, a habilitação de sistemas alimentares e agrícolas eficientes e aumentar a capacidade de resistência e recuperação de meios de subsistência.GLC-SHARE irá também ajudar-nos a perceber como o clima se alterou e como a alteração climática está a ter impacto nos recursos naturais chave, assim com na produção agrícola”.

O aumento da população mundial e a crescente procura por alimentos colocam maiores desafios para a agricultura, pelo que nos próximos anos irá ser necessário produzir mais alimentos usando menos recursos naturais, ao mesmo tempo que se enfrentam alterações no clima.

A FAO estima que a produção mundial terá que crescer em 60% até 2050, através maioritariamente do aproveitamento de terras que já estão a ser cultivadas.

A nova base de dados da FAO inclui onze tipos diferentes de coberturas de solos

- Superfícies artificiais (que cobrem 0.6% da superfície terrestre)

- Solos vazios (15.2%)

- Terras de cultivo (12.6%)

- Prados (13%)

- Vegetação herbácea (1.3%)

- Massas de água continentais (2.6%)

- Manguezais (0.1%)

- Áreas cobertas por arbustos (9.5%)

- Neve e glaciares (9.7%)

- Vegetação dispersa (7.7%)

- Áreas cobertas por árvores (27.7%)

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