Produtores do Vale do Sado querem certificação do arroz carolino

Arroz_carolinoJoão Reis Mendes, presidente do Agrupamento de Produtores de Arroz do Vale do Sado (APPAROZ), lidera o processo para a certificação do arroz de Alcácer do Sal, que está em curso neste momento, e conta que o processo é “moroso” e que está, neste momento, a ser avaliado pelo Ministério da Agricultura.

O representante do APPAROZ refere que “no decorrer deste ano” é esperada “a primeira decisão interna” e explica que, para garantir a certificação, a associação terá de direcionar o processo para Bruxelas. João Reis Mendes espera que “o arroz carolino de Alcácer do Sal venha a ter a sua certificação, o que irá dar notoriedade ao produto”.

A autarquia de Alcácer do Sal refere que o concelho tem “a maior área de cultivo de arroz do país”. “São seis mil hectares e o número de produtores de arroz é estável, mantêm-se nos 300″, explica. Vítor Proença, presidente da câmara municipal, refere que o desenvolvimento deste setor, a par da fileira do pinhão, do azeite, vinhos e do turismo, são as “áreas essenciais de aposta do município e que contam com o apoio incondicional da autarquia”.

Produtores, empresas e agentes ligados à produção do arroz reuniram-se esta quarta-feira em Alcácer do Sal no “Encontro da Orizicultura Portuguesa”. O Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas apresentou durante a manhã um estudo sobre o impacto da avifauna na cultura do arroz.

“Foram apresentadas algumas conclusões do estudo que pretende minimizar as consequências de espécies como a cegonha, flamingos, pardais e outras espécies de aves nos campos de arrozais, assim como técnicas de espantamento”, explica a autarquia. “Um tema que preocupa os produtores de arroz da região de Alcácer do Sal que partilharam experiências com o Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas”, acrescenta.

João Reis Mendes refere que “ainda existem aspectos importantes para definir sabendo desde já que o setor vai ser afectado”. “Importa apurar as medidas que o Governo vai adoptar para minimizar o impacto da Política Agrícola Comum no setor da produção de arroz”, salienta o presidente da APPAROZ.

“Outra preocupação dos produtores de arroz portugueses incide na entrada no país sem controle de arroz agulha proveniente de países asiáticos”, explica a autarquia de Alcácer do Sal. João Reis Mendes refere que os produtores defendem “uma fiscalização do arroz a granel que vem através dos portos nacionais e muitas vezes com poucas condições de higiene”. Segundo a câmara municipal, o presidente da APPAROZ acredita que “existe da parte das autoridades o compromisso de fiscalização”.

Fonte: O Bocagiano (Jornal regional de Setúbal)