Investigadores desenvolvem sistema inovador de irrigação nas culturas

Uma equipa do Departamento de Tecnologia da Informação da Universidade de Huelva, e da Universidade Politécnica de Cartagena (Espanha), desenvolveu uma rede de irrigação inteligente que se caracteriza por medir, simultaneamente, os parâmetros do solo, ar e água das culturas agrícolas.

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A principal vantagem deste sistema, composto por um conjunto de dispositivos sem fios, é o facto de se poder configurar para analisar as diferentes variáveis dependendo da cultura, oferecendo soluções personalizadas na gestão dos recursos hídricos.

O sistema, apelidado GAIA2, é formado por uma rede de sensores, cada um dos quais funciona como um pequeno computador que pode ser configurado para medir parâmetros do solo (temperatura, humidade), ambientais (pressão atmosférica, temperatura ambiente, humidade relativa) e da qualidade da água de irrigação. Estes nós conectam, pelo exterior, os vários sensores que monitorizam estas variáveis.

Dependendo das características e necessidades de cada cultura, a configuração e sensores do sistema serão diferentes.

«Um mesmo sensor serve para medir as diferentes variáveis. Não precisava de dispositivos diferentes, um para cada parâmetro, como a maioria dos sistemas atuais. Ao contrário destes, o GAIA2 é um dispositivo multifuncional que realiza a monitorização simultânea de diferentes variáveis no mesmo campo de cultivo», explica a investigadora da Universidade de Huelva, Nieves Pavón, que colaborou neste trabalho.

A multifuncionalidade permite que uma única rede de sensores possa ser utilizada em diferentes tipos de cultura, seja hortícola, frutícola ou vinha. Basta alterar o tipo de sensor.

Outra vantagem dos sensores é que, para além de atuarem como sensores ou receptores de dados, também servem como ponte de informação entre eles.

Esta característica, conhecida como gateway, é usada para controlar culturas em parcelas separadas entre si por uma distância de até dez quilómetros. O objetivo básico do gateway é garantir a comunicação entre os vários nós de sensores e o escritório, onde a estação base recebe os dados e os interpreta.

Em terrenos grandes pode haver interferências que interrompam ou dificultem essa comunicação, como ocorre com os telemóveis. Ao atuar como uma ponte, a gateway assegura que os dados chegam corretamente", explica a especialista. Esta dupla função de recepção e comunicação é outra vantagem do dispositivo.

«Nos sistemas de irrigação disponíveis no mercado essa dualidade não existe. Normalmente são utilizados dois nós diferentes, um para cada função», continua a investigadora.

Robustez para suportar o trabalho agrícola

Do ponto de vista físico, os sensores são conhecidos pela sua robustez, outra diferença em relação aos dispositivos atualmente vendidos, uma vez que, de acordo com a especialista, estes só foram usados em laboratório ou trabalhos de investigação de modo não têm a consistência necessária para serem aplicados em ambientes reais.

«Os sensores GAIA2 são projetados para serem colocado ao nível do solo ou enterrados sem medo de quebra aquando da utilização de máquinas agrícolas», qualifica Nieves Pavón.

Além disso, cada sensor é equipado com uma bateria interna de lítio, uma antena para transmitir dados, uma caixa estanque à prova de água e humidade e um painel solar, que garante autonomia de pelo menos dez semanas, a duração normal de um ciclo agronómico (sementes, desenvolvimento ou floração). Além disso, pode ser adicionado um carregador de bateria e uma antena de longo alcance.

Fonte: Portal Frutícola