Faro: o futuro da Fruticultura Nacional em análise

fruta

 A Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade do Algarve é palco até esta sexta-feira, em Faro, do 4.º Simpósio Nacional de Fruticultura.

A sessão de abertura contou com vários responsáveis políticos e institucionais, entre eles, o secretário de Estado das Florestas e do Desenvolvimento Rural, Miguel Freitas, e do presidente da Câmara de Faro, Rogério Bacalhau.

O autarca algarvio, que acolhe o Simpósio este ano no seu concelho, referiu que «a fruticultura está em expansão no Algarve, inclusivamente com um novo panorama visual do território».

O edil acrescentou que «hoje temos na região abacateiros e sistemas avançados de hidroponia, antes tínhamos apenas pomares de citrinos. Há mais produção, novas espécies e ferramentas tecnológicas».

«É essencial o regresso à terra porque isso gera mais emprego e mais vitalidade económica à região», vincou Rogério Bacalhau.

Já o secretário de Estado das Florestas, Miguel Freitas, fez uma extensa intervenção sobre o panorama agrícola nacional, antecipando desafios mas também problemas do setor.

Realçou que «a diferenciação na agricultura é uma oportunidade para a produção», sendo que a tecnologia e o «uso de equipamentos e máquinas mais avançadas e inteligentes já estão a revolucionar o setor».

Mais do que a eficiência «é já a otimização que conta» e não tem dúvidas de que «Portugal está a viver um choque tecnológico». «Há mais inovação no tomate do que num Ferrari», comparou Miguel Freitas.

Para o governante, Engenheiro Agrícola de formação, natural do Algarve, e que foi docente na Universidade do Algarve, onde lecionou no curso de Engenharia Agronómica, «a tecnologia dá um enorme poder de controlo sobre a produção, e é aí que todos temos que fazer a diferença».

Entre vários desafios que enumerou, Miguel Freitas lembrou que «é essencial olhar para o panorama do setor através de uma abordagem sistémica». Além disso, «há outro paradigma que está a atingir o setor: o ambienta», cada vez mais importante para «tornar o país mais sustentável».

O primeiro painel deste Simpósio Nacional de Fruticultura foi dedicado à produção. Entre os temas abordados, destacamos a intervenção de Iñaki Hormaza que abordou o abacate na Península Ibérica com especial incidência em Espanha. Na sua comunicação, lembrou que as costas atlântica e mediterrânica do sul da Península Ibérica é praticamente a única região da Europa com uma produção significativa de abacate. Abordou as vantagens do fruto produzido nesta região face aos que chegam ao Velho Continente importados da América e de África.

O especialista abordou ainda questões que preocupam os produtores, como novas pragas, as alterações climáticas e a questão da água, entre outras.

“A Monitorização da precocidade na entrada em produção num pomar superintensivo de amendoeira da variedade 'Soleta'”, “Simulação do crescimento dos frutos da pereira (Pyrus communis L.) cv 'Rocha' com base no tempo térmico”, “Estudo da influência de duas formas de condução no vigor, na produção e na qualidade dos figos da cultivar 'Pingo de Mel'”, “Levantamento e caracterização da vinha de uva de mesa existente no Algarve”, “A evolução da época de floração e colheita da pereira 'Rocha' na região de Alcobaça e o número de horas de frio nos últimos vinte e quatro anos” e “Sincronia floral de quatro cultivares de abacateiro (Persea americana Mill.), no Algarve” foram outros temas abordados neste painel.

Da parte da tarde esteve em debate o painel dedicado à Sanidade (pragas e doenças). Entre as comunicações, destaque para a “Bacterioses dos frutos secos”, “Potenciais vetores de Xylella fastidiosa em amendoeira, oliveira e videira em Portugal”, “Sistema autónomo para a monitorização de insetos” e “Psila africana, Trioza erytreae, em citrinos”.

O evento, que termina esta sexta-feira, é uma organização conjunta entre a APH (Associação Portuguesa de Horticultura), a UAlg (Universidade do Algarve), o COTHN (Centro Operativo Tecnológico Hortofrutícola Nacional) o MeditBio (Centro para os Recursos Biológicos e Alimentos Mediterrânicos) e a DRAP Algarve (Direção Regional de Agricultura e Pescas do Algarve).

Texto e Foto: Ana Clara