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Agrotec

Alimentos Biológicos com procura crescente

Consumidores procuram cada vez mais alimentos saudáveis
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Os consumidores procuram cada vez mais alimentos de origem biológica. Há dez anos, quem procurava estes produtos eram principalmente pessoas com mais poder de compra, mas, atualmente, com o aumento do acesso à informação, os consumidores passaram a ser pessoas mais conscientes de que os produtos com aditivos químicos podem estar ligados a doenças do sistema nervoso, diminuição da fertilidade, enfraquecimento do sistema imunitário, assim como variados tipos de cancros.

O poder de compra – já que os produtos biológicos, em geral, são mais caros – não é problema para muitos destes consumidores, como Ana Montalvo, mãe de gémeos de três anos, que procura para a sua família o que é mais saudável. “Desde que soube que estava grávida que a mudei por completo a minha alimentação. Passei a consumir produtos biológicos. Eu queria que os meus filhos nascessem saudáveis”.

Do lado dos produtores, a engenheira agrónoma Andreia Cabanas, 27 anos, explica as razões para apostarem em culturas biológicas. “É importante apostar numa agricultura sustentável a longo prazo, tentar reduzir o uso de pesticidas e herbicidas nas plantações porque não traz benefícios nem para a saúde nem para o meio ambiente. Os produtos biológicos têm maior teor de vitaminas – por terem tido um desenvolvimento natural –, são cultivados em solos férteis, sem aditivos, o que também preserva a biodiversidade. É respeitado o tempo entre crescimento e a colheita e por isso os principais componentes como o ómega 3, cálcio, o magnésio, ferro, entre outros minerais, são preservados.” A engenheira explica ainda o que acontece nas culturas não biológicas: “Estes produtos sofrem alterações, crescem mais rápido, são menos concentrados, têm menos sabor e, para durarem mais tempo, o agricultor utiliza os tais produtos químicos, entre eles está o Glifosato que é extremamente agressivo para a saúde e para o meio ambiente.”

Um agricultor que optou por culturas biológicas
O agricultor Luís Rocha, de 38 anos, explica que, nos primeiros anos de cultivo, utilizou pesticidas para obter mais lucro no menor espaço de tempo. Ao adquirir experiência, optou por cultivar produtos biológicos. Juntamente com outros agricultores formaram a empresa Biosolo, onde às quartas e quintas-feiras fazem entregas ao domicílio.

“O que me fez mudar a maneira de ver as coisas foi o facto de eu próprio não consumir legumes ou frutas fora de casa – em restaurantes –, porque sei os tipos de agrotóxicos que são usados em determinados alimentos. A partir do momento em que eu tive consciência de como é grave, decidi que iria cultivar produtos biológicos. As pessoas devem comer e beber de maneira saudável.”

Os alimentos biológicos mais consumidos
A carne bovina biológica é dos produtos com preço mais elevado, em comparação com a carne não biológica. Entre os alimentos mais consumidos estão os legumes e as frutas, nomeadamente, a batata, tomate, cogumelos, cenoura, alface, abóbora, beterraba, morango, laranja, frutos secos, alho. Na lista dos mais procurados encontram-se também os ovos e o azeite.

A alface e o morango são os alimentos que concentram maior quantidade de químicos – já que, muitas vezes, não é respeitado o tempo (15 dias) de espera até que os produtos estejam prontos para consumo. Como a margem de lucro tornar-se-ia baixa, os morangos e a alface tendem a ser colhidos e no dia seguinte estão no mercado.

A nutricionista Neuza Canhoto, 27 anos, do Nutrición Center, defende que “uma alimentação equilibrada, conjugada com o exercício físico, é garantia de uma saúde melhor e de maior longevidade. Como antigamente os produtos não eram tratados com pesticidas, as pessoas tinham mais saúde. Hoje, os produtos alimentares estão cheios de químicos que atrasam o metabolismo, enfraquecem o sistema imunitário e o resultado disso são as doenças crónicas e os cancros. É muito importante lavar bem os alimentos antes de consumir”, aconselha.

O custo de uma alimentação saudável ainda é um entrave. Os preços são, em alguns casos, 100% mais elevados quando comparados com os idênticos não orgânicos. Ainda assim, a opção é cada vez maior, já que é mais fácil encontrá-los nos supermercados, praças, feiras e até há empresas que fazem entregas ao domicílio.

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