A agricultura inteligente para um futuro sustentável

Por João Paulo Fernandes | Diretor Geral da NEC Portugal

tomate

A inovação tecnológica baseada nas tecnologias de Informação e Comunicação (TIC) tem vindo a transformar todos os setores de atividade e, de uma forma transversal, a economia dos países. Industria, Energia, Finanças, Transportes, Comercio, são setores que não têm resistido às mudanças provocadas pela adoção das TIC e aí têm suportado boa parte do seu processo de modernização.

Mas se falarmos de Agricultura, este é um setor tendencialmente conservador nas suas práticas e por isso mais lento na adoção de novas tecnologias, o que justifica que seja, até à data e dentre os principais setores de atividade económica, aquele em que a adoção das TIC menos parece ter-se feito notar.

Se olharmos para a estrutura económica do país, o setor primário sempre teve um papel importante, não só em termos de criação de riqueza como também de emprego, com a sustentabilidade de muitas famílias a depender direta ou indiretamente destas atividades.

Contudo, em particular após a integração europeia, o peso do setor primário no PIB reduziu-se substancialmente tendo passado de 8% em 1986 para um valor abaixo dos 2% em 2017, redução que evidencia o doloroso período de ajustamento sentido por este setor após a entrada na UE, com a necessidade de adaptação ao desaparecimento das medidas de apoio aos preços que existiam até essa altura, e à concorrência em mercado livre com as produções agrícolas de maior produtividade e maior escala de muitos outros países europeus.

Este ajustamento levou a uma seleção natural, com o passar dos anos, das produções agrícolas com maior capacidade para concorrer neste novo contexto, tendo levado a uma forte redução do número total de explorações agrícolas em Portugal.

Esta redução e o consequente aumento da dimensão média das explorações, em conjunto com uma maior especialização de muitas produções e o mais fácil acesso a financiamento por via dos fundos estruturais, permitiu que ocorresse uma modernização do setor, com ganhos em termos de escala, “know-how” e inovação tecnológica, a qual se tem porém processado a um ritmo bastante lento, que mantém a produtividade do setor agrícola em níveis ainda bastante inferiores aos da média da UE.

Para que este diferencial de produtividade possa ser eliminado, é necessário que este ajustamento estrutural da agricultura portuguesa, com aumento de escala das explorações, maior especialização das mesmas e aumento do grau de conhecimento e “know-how” dos produtores nacionais, seja acompanhado por uma maior aproximação aos níveis de modernização tecnológica das agriculturas mais desenvolvidas, nomeadamente em termos de utilização das TIC para otimização dos processos de produção agrícola.

Perante este cenário, a agricultura de precisão, ou agricultura inteligente, surge não só como um importante fator competitivo, mas também como um fator de sustentabilidade.

Falar de uma agricultura inteligente, que recorre ao uso das tecnologias de informação e comunicação para recolher dados, avaliá-los e analisa-los, com o objetivo de retirar conclusões sobre as melhores decisões a tomar no dia-a-dia em termos dos múltiplos aspetos da produção agrícola, significa falar de uma agricultura mais eficiente, que poupa recursos e maximiza resultados e que será cada vez mais um fator determinante para o aumento de produtividade e de capacidade competitiva em termos de produção agrícola.

Neste processo a que podemos chamar a ‘Revolução Digital’ na agricultura, a Inteligência Artificial (IA) e a Internet das Coisas (IoT) ocupam um papel preponderante.

Sensores para recolher dados e Inteligência Artificial para os analisar de forma sistematizada, tornam a produção agrícola mais eficiente, permitindo determinar dia a dia quais os valores dos fatores de produção que permitem alcançar o nível ótimo de produção no final de cada campanha.

Um exemplo destas novas soluções de Agricultura Inteligente, é aquela que a NEC Portugal, em conjunto com a HIT/Italagro, apresentou em agosto de 2017 nos campos de cultivo de tomate de indústria em Vila Franca de Xira.

Esta solução permite criar campos virtuais através da recolha de dados meteorológicos, de humidade no solo e de densidade de vegetação, obtidos através de sensores e, também, de dados relativos às atividades de campo efetuadas pelo produtor, tais como níveis de irrigação e utilização de fertilizantes.

A solução cria simulações de crescimento, por comparação entre as condições reais de produção e as condições ótimas do modelo biológico da variedade de tomate que está a ser cultivada, com as quais faculta ao produtor informações customizadas em termos de cultivo do campo, tais como recomendação das quantidades de água e azoto que devem ser aplicadas, predição da produção final do campo ou da data mais apropriada para a colheita, entre outras.

A utilização desta informação irá permitir ao agricultor saber, em tempo real, o estado das suas culturas, adaptar recursos, corrigir falhas e otimizar custos o que, no conjunto, leva ao aumento da produção e da sua rentabilidade.

O futuro já chegou às explorações agrícolas e podemos esperar, a cada colheita, novas tecnologias que permitem tornar a produção agrícola mais rentável e sustentável.

Para que isso possa ser cada vez mais uma realidade, necessitamos porém que os nossos produtores tenham a visão necessária para apostar na inovação tecnológica, reforçando por essa via a sua capacidade competitiva, aumentando a sustentabilidade da sua produção e acelerando a redução do fosso que ainda nos separa da média europeia em termos de produtividade na agricultura.

Nota Editorial: Artigo publicado na edição impressa da Agrotec 29.

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Foto: NEC Portugal