Assunção Cristas reafirma importância estratégica do regadio

A ministra da Agricultura, Assunção Cristas, reafirma que o regadio é uma aposta estratégica para o país porque permite a adaptação às alterações climáticas e consequentemente uma agricultura competitiva.

«Como digo sempre, o regadio é uma aposta estratégica para o nosso país (...), porque a verdade é que sofremos de seca com alguma regularidade e termos água de qualidade e em quantidade é estratégico para podermos ter boa agricultura, uma agricultura competitiva», afirmou.

A ministra falava no Fundão, à margem de uma visita realizada ao Aproveitamento Hidroagrícola da Cova da Beira, mais conhecido como Regadio da Cova da Beira, um projeto que se prolongou durante mais de 50 anos e cujas últimas obras ficaram concluídas em 2013.

No total, este regadio abrange uma área de cerca de 12.500 hectares e implicou um investimento total de 311 milhões de euros, 62 milhões dos quais financiados no âmbito do PRODER - Programa de Desenvolvimento Rural.

A governante sublinhou igualmente que a aposta nos regadios irá continuar e explicou que as visitas que tem realizado a diferentes infraestruturas de regadio no país pretendem mostrar essa «ambição de continuidade».

«É muito importante e é uma aposta para continuar, seja aqui na Cova da Beira, seja no Mondego, seja no Alqueva, seja em Óbidos, onde também estamos a arrancar com o regadio», apontou.

Depois de ter ficado a conhecer um novo empreendimento agrícola que só foi concretizado graças há existência do Regadio da Cova da Beira, Assunção Cristas afirmou que os regadios também contribuem para «rejuvenescer a agricultura em Portugal e apoiar a coesão territorial».

«Quando falamos em desenvolvimento do Interior do país, posso dizer-vos que a primeira área onde esse desenvolvimento já é notado, e que pode dar ainda grandes frutos, é precisamente a área da agricultura», afirmou.

Questionada sobre o facto de os primeiros blocos concluídos daquele regadio já estarem a necessitar de remodelação, Assunção Cristas deixou a garantia de que no próximo quadro comunitário haverá verbas quer para a modernização, quer para a ampliação, quer para novos regadios.

«Caberá depois aos atores locais, naturalmente apoiados pela Administração Central, realizarem as respetivas candidaturas».

Um conselho que também foi transmitido ao presidente da Associação de Beneficiários da Cova da Beira, António Gomes, que, por seu turno, deixou o apelo para que se criem condições e ferramentas que facilitem a transação das terras, o que evitará que haja zonas abrangidas pelo regadio sem o devido aproveitamento.

Segundo referiu, dos 12.500 hectares abrangidos, cerca de oito mil estão, atualmente, ao abandono. Uma situação que a associação quer combater, tendo já criado um gabinete de apoio ao investidor, que pretende ajudar a encontrar as melhores respostas e a evitar futuros problemas.

«Temo-nos deparado com situações de pessoas que primeiro compram as terras sem verificarem se estas estão abrangidas. Ora isso não pode acontecer principalmente quando temos terras onde o regadio passa e que não estão a ser cultivadas», disse António Gomes.

Segundo os dados da Direção Geral de Agricultura e Desenvolvimento Rural, o Regadio da Cova da Beira é o mais moderno sistema de Aproveitamento Hidroagrícola da Península Ibérica e o segundo maior depois do Alqueva.

Estende-se por 12.500 hectares dos concelhos do Sabugal, Penamacor, Belmonte, Covilhã e Fundão e abrange cerca de 1.800 explorações destes concelhos. 

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